Mamo, curta brasileiro no British Academy of Films and Television Arts no último final de semana
28 Jan, 2014
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Por Maysa Monção
Série ‘Curtas’
No último final de semana, dia 25, aconteceu uma sessão especial de curtas dentro do BAFTA (British Academy of Films and Television Arts), em Piccadilly. Os glamourosos anfitriões foram os formandos do curso de Mestrado em Cinema, do Departamento de Mídia e Comunicação da Universidade Goldsmiths. Entre os formandos, uma única brasileira, Bruna Capozzoli.
O curta “Mamo”, de pouco mais de 13 minutos, tem como pano de fundo as heranças da escravidão, ao relatar a história de uma mulher de origem africana em Londres. Claro, hoje o tema está em alta, haja visto as recentes produções de Tarantino (“Django”) e Steve MacQueen (“12 anos de escravidão”), mas segundo Capozzoli ainda é preciso tocar lá no fundo da ferida e discutir mais o tema. Estando Darcy Ribeiro e Gilberto Freyre mortos, a questão persiste não só no Brasil, mas em países onde as desigualdades são menores, como no Reino Unido.
“Mamo” foi gravado nas ruas ao redor da universidade Goldsmiths, no sul de Londres. A dez minutos de ônibus da universidade, você chega ao bairro de Peckham, que é hoje habitado por uma vasta maioria de descendentes nigerianos, jamaicanos, ganenses. Sim, aqui, as pessoas falam alto no celular, vendem leite de coco e raízes aos borbotões nas bancas à frente de minimercados e penduram papelão no pescoço pra pedir esmola. É uma Londres para a qual a própria Londres costuma fechar os olhos. Como talvez a América de Steve MacQueen no filme que concorre ao Oscar.
Nesta pequena produção, de Beyond the Sea Films (www.beyondtheseafilms.com), o que transparece mais não é tanto a violência, mas a negligência, um certo conformismo para o qual a ministra da imigração Theresa May insiste em não perceber a real situação preto-no-branco. A de que é preciso muito mais do que assistencialismo para integrar essas populações à Ilha. O legado de Nelson Mandela ainda deve gritar por aqui também.
“Mamo” apenas expõe o pesar através da avó e da neta, já que o pai e filho, negro, fora condenado à morte. O curta não chega a ser lírico nem seco, é antes uma ponte da África ao Reino Unido, com alguns degraus de madeira apodrecida que requerem o salto do espectador. Neste curta não há efeitos especiais, nem herois imortais: há verve e questionamento. Bom que uma brasileira tenha vindo até aqui e exposto no BAFTA o seu discurso imagético. Vamos precisar de mais, pelo visto.













































