Cantoras & Instrumentistas Brasileiras em Londres
27 Mar, 2014
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Por Shirley Nunes
O mês de março, internacionalmente conhecido como mês da Mulher, da acabou. No entanto, isso não é motivo para não homenagearmos algumas das muitas que morar no Reino Unido. Segundo IBGE ( Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) 53,8% dos 500 mil brasileiros no exterior, são mulheres. Vamos conhecer o perfil de mulheres, artistas, que faz parte desse número, moram aqui no Reino Unido. Em sua maioria cantoras, outras, pianista, flautista e também percussionista. Todas juntas num único espaço – aqui!
Durante as entrevistas, algo comum citado entre todas sobre sua arte que é a Música, a importância do artista ter mais apoio, se valorizar mais. A entrevista foi conduzida entre três temas: arte, carreira e Londres. Leia sobre os pensamentos dessas mulheres para lá de especiais e descubra um pouco mais sobre suas carreiras fora do Brasil.
Conversando com a cantora Rebeca Vallim.
Cantora desde 12 anos de idade, sobrevive de música em Londres, nos diz que o maior obstáculo de viver em Londres é estar longe do apoio da família. Pergunto a ela sobre como ela vê a música brasileira atingindo os estrangeiros por aqui. Ela afirma ‘acredito que gostam, e o que mais os encantam é o ritmo mesmo. Agora quanto ao atingir os estrangeiros, há uma limitação do idioma. Sempre difícil trabalhar com arte. Talvez um pouco mais dificil por causa da crise que está instalada no Reino Unido’.
Carioca, ela nos conta que ‘ agora em março completo 9 anos na Inglaterra. Vim pra tentar construir um futuro melhor. Sinto muito diferença, mas amo muito a Inglaterra. Gosto da diversidade cultural, da mistura de idiomas, do respeito com as diferenças. Definitivamente esse respeito pelas diferencas, coisa quq nao acontece no Brasil, onde as pessoas ainda sao julgadas pelas roupas que vestem.’
E ela fecha nosso nosso papo, afirmando que a Inglaterra abriu as portas para mostrar a sua música. ‘Mesmo nao sendo totalmente compreendida por eles, sou grata a Inglaterra por tudo que me deu, por todos os lugares onde eu nem imaginava e passei e acredito que ainda temos muitos caminhos a trilhar. Força pra todas essas mulheres guerreiras que não desistiram dos seus sonhos’.
Leia mais sobre Rebeca Vallim: www.mafuadeyaya.wordpress.com
Batucando com Tuca Millan, percussionista.
Entre todas convidadas, Tuca acha que arte ‘tem sido prazeroso trabalhar com arte’ mas confessa ‘Não, não vivo exclusivamente de música em UK’. Millan toca desde os 15 anos e diz que não sente diferença entre Brasil e UK em relação a música como trabalho: ‘Eu acho que o “tratamento” começa com sua postura’. E afirma que ‘os estrangeiros de fato ‘Eles gostam e admiram. A música brasileira e uma das músicas mais respeitadas no mundo’.
Pergunto sobre o maior obstáculo ao chegar aqui, diferentemente das outras: ‘Não foi a língua mas o clima, residente já há 6 anos diz que ‘Não tenha duvidas, gosto daqui e as diferenças são naturalmente culturais. Não tive nenhum choque especifico pois já sabia o que esperar’.
Quando pergunto sobre direitos ‘Não faço parte da Union Musician. Dependendo da real finalidade da associação acho que deveria existir sim’. E toda positiva, fecha dizendo ‘ Acredite em você e em sua arte, você não pode estar errado’.
Saiba mais: www.tucapositive.blogspot.com
Ao som da flautista Lucia Viola.
Falamos com a flautista Lucia Viola que já nos inicialmente diz que só estava aqui de passage, ficaria apenas um mês, mas Londres mexeu com ela: ‘Eu ia para Itália mas gostei da vida cultural da cidade e resolvi continuar meus estudos aqui (BMus & Post Grad). Gosto de morar em Londres e desde o início me senti em casa; existem similaridades entre SP e Londres. Gosto também de algumas áreas rurais e quando tenho tempo visito lugares diferentes e tento aprender mais sobre a história, etc. No início não dominava a língua e isso foi difícil mas tambem interessante. Me lembro de conhecer pessoas de vários países e acho que foi tudo muito enriquecedor’.
Perguntei sobre sua arte e os desafios da música já que é a sua profissão aqui ‘Música é minha profissão. Musica é como eu vivo. Performando, escrevendo, gravando, ensinando em escolas de musica e colegios. Trabalhar perfomando art ou outro tipo de de arte é desafio em qualuqer lugar do mundo. Toma muita dedicacao, muitos anos de treuni e nada é garantido. Já tocava no Brasil, eu comecei um pouco cedo e também trabalhei com música em SP. Fui muito sortuda em ter professores e colgeas fantasticos no campo popular e classico ( o flautist Antonio Dias Carrasqueira, e pianist de jazz Ziara, entre outros). Vejo que existe um interesse de música brasileira e jazz mas precisa de um mais de espacos para esse tipo de música.
Lucia fala também sobre já ter lançado dois álbuns ‘Sundial’ e ‘Impressions’ e que está preparando um show para lançar o próximo.
Veja mais sobre Lucia e compre o cd: www.luciaviola.com
Grande Pianista Clelia Iruzun.
Pianista Cléia Iruzun, brasileira, residente 30 anos em Londres, começou a carreira muito cedo, participando de muitos concursos de piano no Brasil e ganhou prêmios. E foi assim que sugiram oportunidades de bolsa de estudo no exterior. ‘Vim para Londres no início dos anos 80 ainda adolescente e decidi entao fazer o curso de musica na Royal Academy of Music. Participei de concursos tambem na Europa e ganhei alguns premios. Comecei então a tocar na Inglaterra e dai a outros países’.
Pergunto sobre as diferenças da Inglaterra e Brasil, ela afirma ‘.Acho que o maior obstáculo que o artista brasileiro tem ao chegar no exterior é inicialmente a comunicação e a compreensão de uma sociedade diferente. É importante entender seus valores e tentar se integrar no meio. O europeu é muito orgulhoso de sua cultura e valoriza muito os seus, portanto para um estrangeiro conquistar um espaco é mais dificil. O importante é conseguir uma integração e buscar oportunidades de mostrar sua arte para conseguir ser aceito no meio artístico’.
Questiono sobre como é construir a vida artística fora do Brasil. E ela reafirma o que outras artistas, falaram sobre a vida de artista é sempre difícil. ‘Na Europa por exemplo o mercado vem sendo reduzido por causa dos problemas econômicos enquanto no Brasil ocorreu o oposto, o mercado artístico aumentou, principalmente para o meio clássico.
Clélia fala com orgulho sobre música brasileira ‘A grande alegria que tenho é quando consigo realizar meus projetos com musica brasileira como o festival que fundei recentemente “Brazil Three Centuries of Music”. Fizemos ja tres eventos em Londres e todos tiveram excelente público e aceitação da plateia e da crítica. O Brasil tem uma riquissima producao musical que precisa ser reconhecida e colocar os nossos compositores ao lado dos seus contemporaneos europeus mais famosos’. E fecha afirmando que quer introduzir compositores brasileiros que sao quase totalmente desconhecidos fora do Brasil e juntamente com o time de ótimos musicos brasileiros e ingleses que tem participado do projeto.
Leia mais sobre a pianista, no site: www. cleliairuzun.com
Aline Stoffell, uma nova MPB.
Já a cantora gaúcha Aline Stoffell, residiu em Londres 3 anos, retorna agora ao Brasil, confessa que veio atraida pela cultura da cidade. Jovem, com apenas 24 anos, afirma não viver de música ‘ gravo a minha voz como ‘voice over’ e tenho outro trabalho full time’, e diz não vertantas dificuldades no meio artístico. ‘Trabalhar com música, no meu caso, sempre foi muito prazeroso mas assim como qualquer outra profissão, existem inúmeros obstáculos e desafios a serem enfrentados. Perante a musica nao vejo muitos obstaculos por aqui. Sempre fui respeitada nas minhas gigs e tenho um publico que sempre vai me assistir. Acredito que, por mais incrivel que seja, o mais dificil eh lhe dar com outros musicos brasileiros no exterior.
Pergunto sobre a sua experiência em cantar para os estrangeiros, como é o feedback: Sempre procurei levar um pouco do meu Brasil para as pessoas, assim como mesclar a cultura delas com a minha. Amo fazer músicas inglesas com o swingue brasileiro. Isso sempre trás um ótimo retorno pq envolve todo o público. Canto também em Português e os feedbacks são sempre positivos’.
E para complementar, ela diz que cantar aqui fez diferença no Brasil: ‘Antes de sair do Brasil, cantei la mas não profissionalmente. Tive oportunidade de voltar ao país como cantora e, o fato de ‘vir do exterior’ ajudou muito a conseguir bons trabalhos e ser valorizada’.
Saiba mais sobre seu trabalho: http://www.alinestoffel.com
Cantora Lírica, Gabriela Di Laccio
Essa cidade realmente surpreende. Depois de encontrar painista e cantora lírica, podemos ver que a diversidade vai de extremo a extremo. Gaúcha, residente em Londres desde 2011, conversei com Gabriela Di Laccio que nos conta que veio a Londres porque recebeu uma bolsa de estudos ‘ era uma bolsa de 2 anos para estudar no Royal College of Music’.
Pergunto a ela, após ter tantos anos em Londres sobre as diferenças que ela nota entre uma cultura e outra, e ela fala ‘é impossível não sentir a diferença entre o Reino Unido e o Brasil. Somos culturas quase que opostas. Gosto muito da riqueza cultural que faz parte de morar em Londres. Saber que estou a algumas paradas de metrô para um numero enorme de museus gratuitos, concertos, musicais, espetáculos de teatro, etc… e algo que para mim realmente não tem preço. E nos conta em risos, um fato que acontecia logo que chegou aqui ‘como toda brasileira (gaúcha)eu tinha o habito de dar 3 beijinhos ao ser apresentada para alguém pela primeira vez. Portanto foi o que fiz com o meu professor na minha primeira aula de “Musica do Século XVII”. Não preciso dizer que eu fui a única pessoa que fez isso na sala de aula’.
Ela conta também orgulhosa que vive da música, não apenas cantando, mas também nos disse que dá aulas de canto; e valoriza muito o público: ‘Acredito que se o artista se aproxima da platéia durante suas performances, sempre irá receber um tratamento mais caloroso. E esse é um ponto muito importante para mim: sentir que estou criando uma “ponte” entre o palco e o píblico. Como o meu repertorio se concentra na musica erudita é importante desmitificar a ideia que apenas uma plateia elitizada tem acesso a essa música.’
Residente em Londres, experiente, fala sobre os ingleses ‘acho o povo inglês bastante aberto para receber coisas novas. O fato de Londres ser tão cosmopolita colabora com esse fato certamente. Os comentários que mais me alegram são aqueles de pessoa que nunca ouviram música brasileira erudita e após um concerto vem me cumprimentar com um grande sorriso. Como eu mencionei antes eu faço questão de me aproximar do público nos meus concertos – e esse é um fato que claramente faz diferença para a platéia inglesa e para o público de qualquer país’.
Ela fecha a entrevista dizendo ‘há uma citação de Oscar Wilde que eu realmente amo, porque abraça o que eu acredito que devemos ser como artistas: Seja você mesmo. Todas as outras personalidades já têm dono’.
Veja mais o trabalho da cantora, no site: www.gabrieladilaccio.com
Gostaria de ratificar que cantora Adma Newport, Alba Cabral, Leandra Varanda não puderam nos dar entrevista por esatrem no Brasil e não ter tempo de nos responder, Jandira Silva, por razões pessoais. Mônica Vasconcelos não havia nos respondido até a publicação dessa matéra.
Espero que os leitores tenham gostado de conhecer um pouco mais sobre o trabalho dessas artistas brasileiras e que tenhamos uma outra oportunidade para falar com as outras , não entrevistas.











































