Sol que brilha no sorriso de Flávia Coelho

25 Nov, 2012

Por Alba Cabral

“Consigo conquistar com braço forte,
Jogo com a minha sorte
seu eu andar direito quem poderá me derrubar,
a fé é meu escudo, me apego na verdade”

Com estes versos e tantos outros, ela chega aos palcos de Londres, em Southbank, no London Jazz Festival pela primeira vez, cheia de decisão, palavras, expressão corporal e uma banda de se aplaudir em pé. Flávia Coelho, cantora e compositora brasileira nascida no Rio de Janeiro, filha de pais nordestinos de Maranhão e Ceará, tem na pele – e no sangue – a mistura que traz a identidade miscigenada, a mistura de cores, a melodia do canto bem ritmada, o swing na dança. As letras de suas composições em português afirmam ao que veio.

Desde 2006 morando na França, tendo passado pelas esperiências que todos os que se aventuram a viver fora do país já passaram, ela parece agora celebrar em tournês pela Europa seu primeiro album gravado em setembro de 2011, Bossa Muffin. Flávia Coelho o define como uma miscelânia de suas influências mais tradicionais como a bossa, o samba, o baião e o repente (poesias rimadas, improvisadas e cantadas), com o que denomina “muffin”, a mistura de ritmos como raggamuffin, reggae, hip-hop, zouk, ou seja, uma fusão dos encontros que Flávia tem feito pelo mundo afora.

Na banda atual, o baterista martinicano All Chonvile adiciona ao beat seus temperos caribenhos, o guitarrista franco-boliviano Sebastian Lunghi traz um misto de melodias africanas e espanholas à la Mano Chao. Já o tecladista e pianista Victor Vagh fez a direção musical do disco e no show se alterna entre manter a melodia e harmonia com teclados e efeitos, além de tocar a pequena escaleta e percussão. O backing vocal de todos eles dá o peso de que a música precisa para estar sempre lá em cima, soando bem, com força.
Flavia é bem humorada e suas composições espelham seus questionamentos, acontecimentos do dia-a-dia na vida de alguém ou na favela, o olhar de uma criança pobre que sofre em Decide; o amor, as relações humanas, a diversão em tantas outras composições. Em Periferia defende: “Periferia tem gente humilde, tem menina de família”; O que sou logo poderia virar hit “Não maltrate o que sou, aceite o que sou, não mude o que sou”.


Boa dose de entusiasmo, originalidade, novidade de ritmos – que não somente bossa, pop, samba, casaram muito bem com reggae, ragga, zouk, e com a palavra cantada, na eloquência de um repente mais parecido com hip-hop. A platéia inglesa aprovou, vibrou, pediu bis. Um dos sonhos da cantora é levar seu trabalho ao Brasil e ao que parece, chegará lá. Ela mesmo já canta “Miro no alvo, olho pra rede, chuto com força, é gol. Gol!”

No youtube há alguns videoclips interessantes também, basta procurar por Flávia Coelho.

Para ouvir mais http://www.myspace.com/flaviafusion

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