A função da música na sociedade

23 Apr, 2011

Por Shirley Nunes

A música teve vários processos com muitos significados por causa da evolução na escrita, nos instrumentos e nas técnicas. Assim, a relação do homem com a música tendeu para a mudança. Apesar que, essa mudança não aconteceu devidamente por causa da construção da música, mas também pela evolução do homem na História.
Hoje, os filósofos falam sobre a involução do homem pelos mesmos motivos que sua relação mudou com a música.
A música é um componente a mais para mostrar a cultura de um grupo, porém não é vista assim. Atualmente, ela serve para entretenimento, prazer e ainda, segundo alemão Harnoncourt tem uma função decorativa. Isso acontece porque os valores e conceitos dos homens mudaram.
Este mesmo autor apresenta esse paradoxo, um homem que escuta muito mais música que o homem do passado, mas aprecia de uma forma diferente. O homem de nossa época dá mais valor a um automóvel, a um aumento de salário do que a uma atitude honesta ou a um passeio; pensando na música, dá-se mais valor a um aparelho eletrônico do que a uma sinfonia. Desse modo percebemos que houve uma mudança extrema, a sociedade prefere o cômodo e esquece da intensidade de viver.

Há uma crítica sobre isso, porque a música tem outras funções na sociedade além de entreter. O homem a busca muitas vezes como distração do stress do dia-a-dia ou da solidão que o incomoda ou para festas, aqui puramente para dançar, se divertir e assim a reduzimos à linguagem do dizível.
Harnoncourt faz críticas ao apreciamento desse homem que vê a música como apenas um componente cotidiano. Além disso, afirma que ainda somos incapazes de compreender a música antiga (referindo em especial, a música clássica) porque sabe que a música não é apenas e não tem que ser apenas bela; ela tem função também de perturbar e inquietar pela diversidade de sua linguagem.
A música antiga era tocada sempre de maneira clássica, mas foi mudando como a sociedade, por isso hoje sabemos e ouvimos com muito mais freqüência a música popular que positiva ou negativamente, é mais simples.
Sempre houve momentos em que se tentou simplificar a música, reduzindo-a apenas ao elemento emocional para tornar compreensível a todos, o que aconteceu mais no período do romantismo. A música para ser compreendida, ou ela tem que ser reduzida ao primitivo ou cada um tem que aprender a sua linguagem, assim um fato histórico o fez.
Foi na Revolução Francesa, quando viram que a música poderia influenciar pessoas tendo assim um papel na política. Criaram um programa pedagógico do conservatório, o que fez uniformizar ainda mais a música e mudou os rumos dos próximos séculos. Até hoje, os músicos são educados para a música européia, no mundo inteiro, por meio de seus métodos.

Além disso, a música antiga, as quais ainda são apresentadas em conservatórios e universidades, são muito mais reproduzidas, em geral, tentando ser mais autêntica possível da época do que as músicas contemporâneas, diferentemente do século XVIII, momento em que a música da primeira década era modernizada se fosse reproduzida depois, com arranjo distinto porque era necessário e as músicas modernas eram consideradas inéditas.
Nota-se uma necessidade de executar as músicas mais antigas, tanto no erudito quanto no popular, seja no Brasil ou fora.
Basta observar as regravações de tantas canções. Para ser bem atual, há várias regravação de sambas com cantoras novas, ouvi também, por exemplo a música ” Lanterna dos afogados” com Maria Gadú, e tive que ouvir alguém dizer: aquela música da Maria Gadú.
Ouvi uns 2 anos átras como “Sou neguinha” de Caetano Veloso com Vanessa da Mata, e Paula Lima cantando “Água de Beber”, antes cantada por Vinícius de Moraes etc. Ah “Rosas não falam de Cartola com Luciana Mello e tantas outras.
Há também a imitação de sons iguais a de canções do século passado, usando um tipo específico de teclado ou tocando ou cantando de maneira que faça parecer que tal música atual fosse da época tal, por exemplo, a música “Morena” dos Los Hermanos que tem elementos de canção mais antiga e ao mesmo tempo, um ar de ser nova. Amy Winehouse faz isso também. E assim faríamos aqui uma listagem sobre tantas canções gravadas com novos arranjos e velhos elementos.

Isso significa que a música de hoje não satisfaz o músico e nem o público e mais interessante é que esse fato acontece em outras artes como na pintura e na escultura, que são preservadas e restauradas e outras vezes copiadas com pequena mudança.
É sinal que a sociedade anda saturada e, por isso, busca uma identidade, um referencial para seguir já que tantas mudanças históricas aconteceram e assim tantos valores foram esquecidos.
Temos hoje o estudo de musicoterapia e é definido como terapia por meio da utilização da música e de seus elementos constituintes ritmo, melodia e harmonia por um musicoterapeuta qualificado, com um cliente ou grupo, em um processo destinado a facilitar e promover comunicação, relacionamento, aprendizado, mobilização, expressão, organização e outros objetivos terapêuticos relevantes, a fim de atender as necessidades físicas, mentais, emocionais, cognitivas e sociais. A musicoterapia busca desenvolver potenciais e/ou restaurar funções do indivíduo para que ele ou ela alcance uma melhor qualidade de vida, através de prevenção, reabilitação ou tratamento.
Os primeiros registros sobre a utilização da música para terapia podem ser encontrados na obra de filósofos gregos pré-socráticos, porém, somente na primeira metade do século XIX, após a segunda guerra mundial que iniciou-se aspesquisas e em 1944 foi criado o curso de musicoterapia numa universidade dos Estados Unidos.
Como exemplo, temos a música de Schoenberger, já citado neste trabalho, tem obras que podem ser ouvidas por bebês por ser considerada uma música que passa tranqüilidade.
Isso acontece porque dependendo de como o instrumento for tocado, sabendo que a voz é um instrumento. Se for tocado muitas dissonâncias, pode causar uma tensão ou canção que segue uma linha melódica pode causar descontração e relaxamento.

(…) desde os de natureza calma, leve, positivos, ou dolorosos, até aqueles de alegria mais intensa, de fúria ou de cólera; todos eles são de tal forma expressos na música que sacodem o ouvinte e provocam sensações corporais. ( HARNONCOURT, 1996, p. 24).

Além dessa função, que poderíamos afirmar que seria trabalhando a psicologia e talvez lado espiritual, a música pode ser de função informativa e ás vezes, como conseqüência pode ter uma função moral e por assim, também influenciar pessoas e transformar o homem.

( Monografia A tonalidade no discurso da música: capítulo 2 A função da música, 2008)

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