Entrevista com Deodato

25 Jan, 2013

Por Shirley Nunes
Publicado na Brasil Etc.

O show em Londres 16/01
O show era feito de bossas e sambas? Não. O músico reconhecido abriu o show com a canção do filme “Theme From 2001: A Space Odyssey”. Tinha levadas de funk e soul, com uma banda de sete pessoas, incluindo três metais. Além disso, a banda não era brasileira e Eumir chegou com a esposa em Londres um dia antes do show, quando pode ensaiar com Graeme Flowers, trompete; Nichol Thomson, trombone; Ben Castle, alto/tenor sax/flauta; Andy Ross, alto/barítono sax/flauta; Al Cherry, guitarra; Andrew McKinney, baixo; Pat Illingworth, bateria; Pete Eckford, percussão.


A entrevista

No camarim do Ronnie Scotts, fizemos entrevista com Deodato e fomos muito bem recebidos. Conta-nos que vive em Nova York fora da cidade, que irá a Minas Gerais participar de um Festival ainda esse ano e afirma que ao longo do tempo aprendeu que disco novo é um desastre: “como vou tocar música que nunca ninguém nunca escutou?” e que “a indústria de música está por baixo, está muito difícil, a gente está só nessa de tocar”.
Quando falamos que Milton estava vindo para fazer show no mesmo local, naturalmente, ele nos surpreende com uma história com Milton “Ah, estive com ele, fui à casa de Milton em novembro” e que foi ele que o levou para USA e literalmente tirou-o do balaio. Acrescenta: “quando fazia parte da comissão julgadora de Festival Internacional da Canção eram tantas músicas, eram 3 200 músicas para serem escutadas em 1970 e qualquer coisa. Tinham três canções do Milton e o pessoal não prestou atenção, já estava tarde, cansado, botaram no balaio era um cesto enorme e outro menor. Eu não me conformei com a história, eu fui pra casa, pedi pra levar a fita e estudei as músicas no piano e pensei: isso é bom à beça. Voltei e comecei a perturbar todo mundo, falei: “vocês tem que escutar outra vez, não escutaram direito Começa”. Começaram a prestar atenção e gostaram. As três músicas foram para o festival. A mais conhecida é Travessia, Maria minha fé e Morro Velho.”


Shirley Nunes: É a primeira vez em Londres?
Deodato: Não. Já toquei aqui antes. A última vez que toquei aqui foi com uma orquestra reduzida, com gente jovem, num teatro, foi um dos dias mais quentes da história de Londres.

S: Sempre que vem, como pensa no repertório, apenas suas canções ou coloca outras?
D: Tem muitas adaptações ou música clássica.

S: Como foi chegar aos Estados Unidos?
D: Eu fui chegando lá e já fui trabalhando. Tinha muito trabalho. Comecei com Astrud, Marco Valle, Valter Vanderley…

S: Colocou alguma música inédita no show de hoje?
D: Coloquei uma que acho que as pessoas pouco ouviram. Tem uma música minha que chama “San Ruan Sunset” e foi usada por um Rap chamado Lupe Fíasco e ele botou nome de “Paris-Tóquio”, ficou muito famoso nos Estados Unidos pelo my space, na época aumentou as visitas para 36 milhões de pessoas, então me animei… Coloquei no repertório de novo. E estou tentando entrar em contato com ele.

S: Como é compor para você, é natural?
D: Quando eu gosto da música é fácil, vêm as ideias… E meu estilo de arranjo é adicionar coisas à música, tanto em música brasileira quanto adaptações de música clássica como é o caso 2001…

S: Você fez arranjo para Bjork. Como foi trabalhar com ela?
D: Fiz bastante. Foi muito bom, ela me chamou por causa do arranjo que fiz para Travessia, do Milton (a música que ele tirou do balaio). Ela escutou e se encantou… Tentou me encontrar, mas eu estava no Japão. Mas um dia, recebi um recado dela na caixa de mensagem. E a gente trabalhou junto.

S: No Brasil, tem gravado ou está em contato com cantoras do Brasil em destaque na MPB?
D: A Maria Rita, sem querer, eu fiz um arranjo dela, dueto com Milton com disco “Pietá”, a música chama “Tristesse” que ganhou prêmio de melhor música Latina. Uma que encontrei foi a Maria Gadú. Ela foi muito simpática dizendo “você trabalhou com a Bjork, porque não trabalha comigo?” (risos). Não sei se ainda vamos fazer algo juntos.

O carioca fez dois shows aqui e partiu para Milão para tocar com outra banda por lá e volta para Nova York.

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