Uma miscelânea cultural: as favelas do Rio de Janeiro
20 Mar, 2013
VERSÃO EM PORTUGUÊS/ VERSION IN ENGLISH
Por Harriet Batey
Ao pensar sobre a paisagem do Rio de Janeiro, vem na mente imediatemente as imagens de sol, de mar e de praia; as palmeiras e as flores exóticas. Cor e vitalidade definem a cidade. Bem como a vivacidade e a criatividade da Escadarioa Selarón na Lapa, uma homenagem do artista ao povo brasileiro, as favelas da cidade aparecem como uma colcha de retalhos através dos morros. Essas comunidades formam uma representação de ‘shantytowns’ que se encontram em várias das principais cidades do mundo. Mas se pesquisar mais a fundo, você descobre que a favela brasileira repesenta muito mais.
Providência, a primeira favela do Rio de Janeiro, se estabeleceu ao fim do século 19 por soldados de Canudos, depois de ser prometido pelo governo brasileiro residências como ‘um pagamento’ pela vitória. Nunca se cumpriu essa promesa, por isso os soldados ocuparam o Morro de Castelo, criando uma própria comunidade. Ao longo do século seguinte, o crescente potencial do Rio de Janeiro atraiu um número cada vez mais grande de classes mais baixas e de camponeses brasileiros para a cidade. Assim, aumentou a ocupação de terra desta forma. Hoje em dia, a cidade possui 600 favelas diferentes, quer sejam relíquias de ocupação de terra original ou os projetos estaduais de deslocalização.
Dessas 600, duas favelas particulares são regularmente notados pelo mundo exterior. Rocinha, localizado perto dos bairros exclusivos do Leblon e São Conrado, é a favela mais grande na América Latina. Com 70,000 moradores, a favela sintetiza o contraste visual de ricos e pobres que se encontra em Zona Sul. A aclamação em turno do filme Cidade de Deus, por Fernando Meirelles 2002, uma história baseada nos relatos de um morador na favela de mesmo nome, não só melhorou o interesse global no cinema brasileiro mas também abordou a violência e o crime que ficava prevalente nas comunidades. Historicamente, a ausência do Estado em termos de fornecimento e ajuda para essas comunidades permaneciam persistente, com os moradores, muitas vezes, deixados a encontrar seu próprio caminho. A governança por gangues e as guerras entre os comandos se tornaram uma realidade quase inevitável para a favela, enchendo o vazio deixado pelo Estado; porém aconteceu muito progresso desde a entrada de UPPs.
Essa criminalidade representa somente a minoria de moradores, e ofusca com frequência a mistura rica da cultura e de identidade que se pode encontrar no seio das comunidades. De muitas maneiras, a favela é um reflexo perfeito do celébre caleidoscópio racial e étnica que define a história, sociedade e a cultura do Brasil. O Carnaval e samba, provavelmente duas das exportações mais conhecidas do país, são originários da favela. Ainda hoje em dia, bem como o apoio intransigente para clubes de futebol, o alinhamento de cada comunidade para a sua escola de samba permanence inquebrável.
Este sentimento forte de solidaridade transcende em todos os níveis da comunidade e se manifesta em números crescentes de projetos comunitários e ONGs, todos com o objetivo de criar um melhor futuro para eles mesmos e seus vizinhos. Essa solidaridade forte é uma cultura condicionada e distinta da favela brasileira de outros lugares de habitação informal. As favelas do Rio de Janeiro representam restos do passado do país, mas também elas andaram paralela com a história moderna brasileira, e seu povo constitue uma força essencial para o futuro do país. Por isso, eles simbolizam uma fonte integrante da história real do Brasil.
**UPPs ( Unidade de Polícia Pacificadora)
A Cultural Patchwork: The Favelas of Rio de Janeiro
By Harriet Batey
Thinking of the landscape of Rio de Janeiro immediately strikes up images of sun, sea and sand; palm trees and exotic flowers. Colour and vibrancy define the city. Much like the vivacity and creativity of the Selarón Steps in Lapa, the artist’s attested tribute to the Brazilian people, the favela communities of the city appear like a patchwork across the city’s hillsides and interior. Most simply, these communities are a representation of the shanty towns found throughout many major global cities. But delve deeper and you discover that the Brazilian favela represents much more. Providência, the first favela of Rio de Janeiro, was established towards the end of the 19th century by soldiers of the Canudos War, having been promised residencies by the Brazilian government as ‘payment’ for victory. This promise was never fulfilled and so the soldiers occupied the hillside of Morro de Castelo, establishing their own community. Over the next century, the growing potential of Rio de Janeiro attracted rising numbers of Brazil’s lower classes and peasantry to the city. As such, occupation of land in this way increased. Now the city boasts 600 different favelas, either relics of original land occupation or a result of state led relocation projects.
Out of this 600, two favelas in particular are regularly recalled by the outside world. Rocinha, located close by the exclusive neighbourhoods of Leblon and São Conrado, is the largest shanty town in Latin America. Boasting almost 70,000 residents, the favela epitomises the stark visual contrast of rich and poor found in the Zona Sul district. The acclaim surrounding Fernando Meirelles’ 2002 film Cidade de Deus, a story based upon the accounts of a resident in the favela of the same name, not only enhanced global interest in Brazilian film but also starkly addressed the violence and crime prevalent within these communities. Historically, state absence in provision and aid for such communities remained persistent, with residents often being left to pave their own way. Criminal governance and gang warfare became an almost unavoidable reality for the favela, filling the void left by the state; however much progression has occurred since the entry of UPPs.
The depicted criminality only represents the minority of the favela dwellers, and all too often overshadows the rich mix of culture and identity found within the communities. In many ways, the favela is a perfect reflection of the celebrated racial and ethnic kaleidoscope that defines Brazilian history, society and culture. Carnaval and Samba, arguably two of the country’s most well known exports, originate from the favela. Still today, much like the uncompromising support for football teams, the alignment of each community to their Samba school remains unbreakable. Such a sense of solidarity transcends throughout all levels of the community and has manifested into increasing numbers of community led projects and NGOs, all with the aim of creating a better future for themselves and their neighbour. This strong solidarity and a conditioned and distinctive culture distinguish the Brazilian favela from other examples of shanty towns and informal housing. The favelas of Rio de Janeiro represent remnants of the country’s past, they have also walked parallel with modern Brazilian history, and its people are an essential strength behind the country’s future. As such, they symbolise an integral source of the true story of Brazil.











































