Tropicália: Que não seja só mais uma utopia
01 Jul, 2013
Por Fernanda Franco
Em tempos de manifestações públicas no Brasil, a estréia, no Reino Unido, do documentário Tropicália, de Marcelo Machado, vem a calhar. Ao ver o filme, a tendência em querer compreender a situação atual no país e buscar conexões nos fatores históricos, é inevitável. Narrando a trajetória e influência de um movimento artístico que motivou a vida de muitas pessoas que vivenciaram os anos da ditadura no Brasil, este longa-metragem retrata uma realidade bem diferente da que nós, brasileiros, estamos testemunhando nas últimas semanas. Gostaria, entretanto, de ressaltar aqui a similaridade das motivações que levaram uma nação a se rebelar contra o próprio governo. Épocas totalmente diferentes, com regimes políticos opostos, mas com uma luta em comum: a busca por um país melhor e mais justo!
Seja na música, no teatro ou cinema, o artista não se deixa oprimir e tenta, através de sua arte, expressar a sua vontade e a vontade de uma nação. O Tropicalismo foi uma fusão artística que mesclou aspectos tradicionais da cultura nacional com inovações estéticas ousadas e transformadoras. O filme narra momentos da trajetória (de 1967 a 1972) de Caetano Veloso e Gilberto Gil, os dois expoentes advindos do movimento, em um momento de reflexão para a sociedade da época.

Logo nos primeiros minutos do filme, Caetano comenta sobre a presença de uma cultura de esquerda nacionalista e anti-imperialista muito forte no país daquela época, em 1967. Em seguida, ele afirma sobre sua desconfiança dos sentimentos de nacionalismo que tomam as pessoas em grande número e de forma muito fácil. A percepção dele em relação ao anti-americanismo era totalmente suave, como algo raso. Essa influência está implícita nas suas composições da época e, como já sabemos, não agradou a todos num primeiro instante.
O filme tem uma narrativa cativante numa combinação poético-musical intrigante. A música soa como um personagem próprio do filme, envolvente e arrebatadora junto a uma edição de imagens fortes e marcantes. Já na primeira cena, vemos Caetano e Gil se apresentando em Lisboa no ano de 1969, quando já estavam exilados. A dupla é surpreendida com a pergunta do apresentador sobre a possível predominância do movimento Tropicalista na música dos dois. Caetano reage, defensivo, afirmando que o Tropicalismo já não existia mais como movimento. Assim, o documentário se desenrola e há a volta ao ano de 67, onde vários episódios culturais marcaram as mudanças da filosofia da época. Um arquivo rico de imagens raras encanta. Na sequência, retrata-se o momento em que a música brasileira passa a ser rotulada e tem-se o início dos programas e festivais na televisão para atrair um público assíduo e participativo. O documentário mostra imagens inéditas da banda Os Mutantes, a Passeata dos 100 mil e o velório do estudante Edson Luis de Lima Souto, morto ao protestar contra o aumento da comida no restaurante do colégio.
Com produção executiva de Fernando Meirelles, o documentário chega à Inglaterra no mês de Julho. Confira as salas e horários.
Rich Mix, 35-47 Bethnal Green Rd, London – 7 July
Star and Shadow Cinema, Newcastle – 7 July
Rio Cinema, 107 Kingsland High St, London – 8 July
Curzon Soho, 99 Shaftesbury Ave, London – 7-10 July
The Sugar Club, 8 Lower Leeson St, Dublin – 13 July
WOMAD Festival, Charlton Park, Malmesbury – 29 July
Hyde Park Picture House, Leeds – 8 August
The Sugar Club, 8 Lower Leeson St, Dublin – 22 August
Link da página do filme:
http://www.tropicaliafilm.com/











































