Crítica do show: João Bosco, 40 anos de carreira – TOUR 2013

25 Aug, 2013

LEIA EM PORTUGUÊS ABAIXO /  READ IN ENGLISH HERE

Por Alba Cabral   

Com quarenta anos de carreira e sempre acompanhado de excelentes músicos, João Bosco realizou um show memorável. Logo na primeira música, um solo de percussão e bateria preencheu a casa, e com uma incrível sintonia ritmada de grandes músicos brasileiros, deu-se a entender que o show seria de uma incrível execução musical.
 
Uma das maiores virtudes desta apresentação, que aconteceu no Ronnie Scotts, em Londres, é o espaço que cada músico teve para improvisar, expressando sonoridades peculiares, frases criativas, ritmos sincopados e complexos.
 
Um verdadeiro caldeirão de variedades, cuja alternância de momentos solos, revela a surpreendente dinâmica de que é feita a música brasileira de João Bosco e seu time. É um time que joga junto, com cumplicidade, e criando contrapontos de interação melódica, ritmica e harmônica. Poderia ser um grande desafio conseguir equilibrar um quinteto de músicos tão talentosos, já que todos tem capacidade de mostrar o melhor de si. No entanto, o que se vê, é um constante diálogo, maturidade e respeito.

12&13_Joao Bosco_divulgacao2
 

Merece destaque ainda, a parceria entre o enérgico baterista Kiko Freitas e o tranquilo percussionista Armando Marçal, que sabe encaixar perfeitamente timbres e ritmo do seu set de percussão, dentre os quais cuíca, xequerê, gonguê e timbales são os “temperos” que adicionam sabor particular ao ritmo eloquente de Kiko, cujas influências distintas – afro, samba, jazz, salsa – estão todas presentes em um único toque.

Apresentando clássicos como “O ronco da cuíca”, “Mestre Sala dos Mares”, “Odilê Odilá”, “Nação”, “Incompatibilidade de Gênios” e “De frente pro crime”, e com a capacidade de inovar em cada um deles, um dos destaques foi o arranjo de “Coisa Feita”, que começou com um lindo solo do baixista João Baptista.

A surpreendente  “Tanajura” deu destaque ao hipnótico dedilhado do guitarrista Ricardo Silveira. Na segunda entrada, boleros, bossas novas mais tranquilas e homenagens a Tom Jobim, com “Águas de Março” e “Fotografia”; João Gilberto, com “Estate”; e Chico Buarque, com a épica “Sinhá”. Os frenéticos sambas “Linha de Passe” e “Escadas da Penha” ficaram para o fim e levantaram a turminha do fundo, em êxtase a dançar!

João Bosco só economizou em palavras. Emendou uma música na outra, apresentou a banda, agradeceu, voltou pro bis e foi-se. Sem delongas, sem histórias entre uma música e outra. Sucinto e focado. Em papo rápido com o baixista João Baptista na saída, ele disse que a rotina de viagens dessa turnê não estava possibilitando uma boa noite de sono, mas que apesar de todos estarem sob o efeito da falta de repouso, estavam muito satisfeitos com o resultado. E nós, mais que satisfeitos, completamente em êxtase!

About the author

Leave a reply

 
 
Copy Protected by Chetan's WP-Copyprotect.