Foro de Londres fortalece a importância da criação da Secretaria do Estado do Imigrante
30 Aug, 2013
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Por Simone Pereira
Fotos de Sabrina Thompson
Representantes políticos e de comunidades brasileiras no exterior participam do
encontro em Londres, realizado no último fim de semana de agosto
O Wigmore Hall, referência de concerto de músicas de câmara e localizado no centro de Londres, foi palco para um outro tipo de evento nos dias 24 a 25 de agosto. O teatro acolheu a comunidade brasileira no exterior para realização do Foro de Londres.
Organizado pelo sociólogo Edmar da Rocha, o encontro discutiu quais serão os caminhos para mobilizar o governo brasileiro sobre a necessidade de uma representação política no parlamento que defende as necessidades e direitos dos brasileiros que moram no exterior.
Edmar da Rocha, sociólogo e um dos principais organizadores do Foro de Londres, fez a abertura do evento e ressaltou que o Foro é um esforço de várias pessoas da comunidade brasileira. O sociólogo também lembrou que a criação da Secretária do Estado do Emigrante não anula o trabalho dos consulados muito menos dos Conselhos de Cidadania e o Conselho dos Representantes do Brasileiros no Exterior (CRBE), interlocutores da comunidade brasileira. “A deputada ítalo-brasileira, Renata Bueno, é uma prova que é possível o que queremos”, completa.

Foi destacado a importância de criar um projeto pelo seu próprio mérito e sem críticas a outros trabalhos que funcionam, como as atividades que vem sendo desenvolvidas pelas associações brasileiras. O presidente da Associação Brasileira no Reino Unido (Abras) e da Casa do Brasil, respectivamente Láercio da Silva e Carlos Mellinger, são ex- conselheiros do CRBE do Reino Unido e participaram do debate em apoio ao Foro de Londres, assim como esteve presente a ex-CRBE doutora Ticiane de Noronha, da Bélgica, que lembrou a importância dos brasileiros que moram no exterior serem representados por voto majoritário. “Antes de ser imigrante neste país, todos são brasileiros e serem humanos”, completa Iris Griffiths da Across Lingo.
Gerente de projetos da Secretaria de Assuntos Estratétigos da Presidência da República, Marcelo Aguiar Cerri, iniciou a sua participação no evento demonstrando a admiração que tem aos brasileiros que tem a coragem de começar a vida em outro país. “O consulado não serve para fazer política pública, as associações acabam fazendo um trabalho que é a função do governo brasileiro, de cuidar dos brasileiros que moram no exterior”. Disse que levará as informações ao governo brasileiro para discutir o assunto. “O trabalho que vocês estão fazendo me inspira a fazer o meu trabalho com ainda mais vontade ao retornar ao Brasil”.
Deputados defendem direito legítimo de representação política dos brasileiros no exterior
O deputado federal Otávio Leite (PSDB/RJ) expressou sua confiança no movimento dos imigrantes, porque, segundo ele, “realmente existe uma lacuna em relação a representação política dos brasileiros que vivem na exterior”. Otávio Leite defendeu como legítimo o direito dos brasileiros no exterior terem representação política no parlamento nacional, destacando aspectos econômicos e culturais.
Do ponto de vista econômico, ele lembrou que o deficit da balança comercial brasileira, que hoje chega a 54 bilhões de dólares (segundo dados do Banco Central) poderia ser ainda maior caso não fosse possível contar com os 5 milhões de dólares (dados do Banco Mundial) que os brasileiros no exterior mandam anualmente para o país. Do ponto de vista cultural, ele ressaltou que “preservar o elo com o Brasil é decisivo para o futuro do país e isso tem um valor estratégico muito importante”.

Por sua vez, a deputada ítalo-brasileira, Renata Bueno, relatou sua experiência como representante política dos italianos que vivem no Brasil junto ao parlamento italiano. Ela informou que entre os 630 parlamentares italianos, 12 são representantes dos italianos fora do país. Renata Bueno disse que para que o mesmo direito possa valer para os brasileiros no exterior, seria necessario a criação de uma circunscrição eleitoral brasileira no exterior, ou seja, a formação de um novo estado brasileiro. Neste sentido, ela se propos a buscar mais informações sobre a experiência italiana e levantar toda a base legal para que proposta semelhante seja encaminhada no Congresso brasileiro. Os dois deputados concordaram sobre a necessidade de sensibilizar os políticos brasileiros sobre este direito.
No encerramento do Foro, ambos os parlamentares defenderam as seguintes propostas: realizar, o mais breve possível, uma Audiência Pública no Congresso, em Brasília, com a presença das principais lideranças do Foro, assim como representantes das associações que tem apoiado os brasileiros no exterior. Ao mesmo tempo, o deputado Otávio Leite, com base no que relatou a deputada Renata Bueno, se propos a estudar a possibilidade de apresentar uma PEC (Propostas de Emenda a Constituição) criando o 28 estado brasileiro, que corresponderia, no caso, a uma circunscrição eleitoral no exterior. Para isso, ele pretende consultar, formalmente, o TSE, embora, na sua opinião, a criação deste 28 estado só teria força suficente para se concretizar com o apoio politico de um presidente da República.
Neste sentido, ele se comprometeu a defender a proposta de que uma circusncriçao eleitoral no exterior – para eleição de deputados, senadores, governadores, além de presidente – durante seu discurso no Grande Expediente do Congresso Nacional, no próximo dia 29 de setembro. E, ao mesmo tempo, sugeriu que o Foro redigisse um documento a ser apresentado pelo movimento a todos os candidatos a Presidência da República, na eleição de 2014.
Renata Bueno ressaltou a importância de uma campanha de esclarecimento e conscientização a respeito, que teve o total apoio de todos os presentes. O sociólogo Edmar da Rocha, organizador do Foro de Londres, acompanhou as discussões posteriores e se comprometeu a seguir as decisões de concenso tomadas pelos participantes.












































