Águas de março de Tom Jobim
10 Mar, 2011
Esse ano de 2011, o mês de março, quando eu estava no Brasil, começou com muita chuva e assim aconteceu o carnaval. Debaixo de chuva. Posso afirmar isso na região Noroeste de SP. Afinal, no litoral, especialmente, nordestino, o carnaval foi com muito sol.
Bem, de qualquer forma março é cheio de chuvas. E isso me fez lembrar da linda canção “Águas de Março” e a história que li sobre essa canção há dois anos átras.
Ela foi composta pelo Maestro Antônio Carlos Jobim em 1972. Foi composta por causa da situação que ele viveu.

(a escrita aqui do lado veio na etiqueta de uma blusa da Walwee que eu tinha ganho com 15 anos de idade)
“Durante a construção de sua casa em Poço Fundo – sítio da família do Tom Jobim, a duas horas do Rio de Janeiro, entre as cidades de petrópolis e Teresópolis, Tom Jobim quis alterar o projeto, para que o ” pé direito” do piso térreo pudesse ser mais alto. Um problema, pois o arquiteto e projetista teve que refazer os cálculos e oprojeto. Com isso a obra atrasou e a casa não ficou pronta no mês de fevereiro, antes do início das chuvas de março. Jobim acompanhava no local, todos quase todos os dias, passo a passo da construção, muitas vezes interrompida pelas chuvas de março.
Foi nesse cenário do som das águas, dos problmeas, da espera, da angústia repetitiva, que segundo o próprio Tom foi anotando em um ” papel de pão” ( umpapel comum que embrulhava os pães comprados nas padarias antes dos atuais saquinhos), rabiscando-o, re-escrevendo, procurando sons, ritmo, harmonia e palavras. Assim nasce águas de março.
Segundo Tom Jobim, é uma obra simples e singela, mas é muito complexo pela variação harmônica para poucas notas, pelo ritmo contínuo da chuva, pela letra que descreve o movimento das águas morro abaixo. A enxurrada que leva o pau e a pedra. O pouco sol que brilhano vidro molhado, a noite que chega sem a chuva ir embora. A conversa a beira do rio, a pescaria, a espera, em meio ás imagens das árvores, do toco, do nó da madeira. O canto do pássaro Matita-Perê, do vento, do tamanho da ribanceira. As vigas da casa, a imagem do vão, a espera da festa cumeeira ( quando se termina o telhado, se festeja om um barril de chope). Tudo pelo projeto da casa, da promessa da vida no coração.” (Educação em Arte- Música- volume 1 )Ao ler a letra, se possível leia em voz alta, você notará a cadência e a sonoridade que o texto nos causa. Tom Jobim usou sua experiência para fazer arte, a música e sua poesia.
Espero que tenha gostado de saber essa curiosidade da música popular brasileira.












































