DERLON ALMEIDA – TRAÇOS FIRMES DE ARTE, CULTURA E INTEGRAÇÃO
15 Jul, 2013
Por Pati Nunes
Fotos de Fernando Arrotéia
O artista pernambucano Derlon de Almeida, nascido em Recife, já é considerado aos seus 28 anos um dos maiores nomes da arte contemporânea brasileira. Ganhando cada vez mais espaço no cenário europeu, o grafiteiro e artista plástico possui obras na França, Portugal, Holanda e, agora, em UK. Em parceria com o Instituto BR e o apoio do Governo de Pernambuco e também do Arts Council England, o artista fez uma participação inédita no Festival VAMOS! em Newcastle, sendo o primeiro grafiteiro brasileiro a participar de uma obra desta dimensão. Inclusive, para quem tiver a oportunidade de conferir de pertinho, a arte foi feita em um dos prédios da nova instituição de caridade ‘The Biscuit Factory Foundation’, localizada em Ouseburn, NE2 1AN.
Já em Londres, uma exposição dos trabalhos de Derlon, intitulada ‘From Manguetown- The Urban Art of Derlon’ foi tema para a mesa de debates “Manguetown Grafitti & Brazilian Street Art” realizada no dia 11 de Julho, na Embaixada Brasileira, com a presença do artista e do ilustrador, designer e diretor de artes Tristan Manco. A exposição, que aconteceu do dia 17 a 23 de julho, teve uma ótima repercussão e contou com a produção do Instituto BR, parceria da Galeria 71A, do Governo do Brasil e o apoio do King’s Brazil Institute, além de mais uma vez o apoio do Governo de Pernambuco. Durante a semana, Derlon expôs exclusivamente cerca de 16 obras enfatizando os valores e a diversidade da cultura popular do nordeste brasileiro, tais como a literatura de cordel, a técnica de Xilogravura e o que há de mais urbano e pop no mundo das artes, o grafite.
“Isso só foi possível porque nós convivemos muito em Recife com a ideia de resgatar valores populares e misturar com a produção contemporânea”, diz Derlon. O artista mencionou que teve influencia do movimento dos anos 90, o ‘MangueBeat’ que também tinha como proposta resgatar e expandir a cultura regional através dessa mistura: “Por isso, o nome ‘Manguetown’ – o Mangue representa essa grande diversidade da arte popular a qual queremos levar ao mundo”.
Derlon conta também ao Culturart como foi sua trajetória, tendo como lembrança mais remota, a de sua infância, quando desenhava ainda criança. Posteriormente, na adolescência, observava da janela do transporte público, no caminho da escola pra casa, a arte de rua nos muros de Recife, o que despertou-lhe o interesse. Mesmo no principio, com a influencia do grafite norte-americano, sua base na cultura popular brasileira era muito grande. “Aprendemos a gostar da arte popular desde muito cedo. Em Recife, este contato ocorre 24hs, portanto, é uma absorção natural”.
Desenvolvendo sua arte nas ruas, Derlon teve a necessidade de criar sua própria característica, notando que assim teria maior poder de comunicação para com o publico e, foi ai que, em um processo de pesquisa, viu a potencia da mistura do antigo com o novo.
Tal combinação ocorreu quando resolveu fundir a arte de rua com a técnica de xilogravura (na qual fez um profundo estudo, incluindo uma oficina a qual pode extrair a singularidade dessa arte), que consiste em utilizar a madeira cortada dando o efeito de um carimbo, técnica esta encontrada nos folhetos de Literatura de Cordel. À esta altura, o jovem cursava Ciências Sociais, pensando em seguir por esta profissão, mas a arte falou mais alto quando teve a noção do reconhecimento e da aceitação do seu trabalho pelo publico. “Quando eu percebi a oportunidade de mudar de profissão e trabalhar como artista fazendo o que eu gosto, não pensei duas vezes. Larguei a faculdade e decidi fortalecer e aperfeiçoar o meu trabalho,começar produção em ateliê e entrar nas galerias. Afinal,um grafiteiro provavelmente terá uma profissão, então por que não como artista plástico?!” Neste andamento, o primeiro grande trabalho de Derlon foi a cenografia da peca ‘O Bem Amado’, que foi seguida pela cenografia do ‘Prêmio Tim de Musica’ no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, com a extensão de 15 metros de cenário, ambos trabalhos a convite do cenógrafo Gringo Cardia.
Dentre suas principais referências, o recifense cita que até hoje inspira-se no grande pintor, gravurista e desenhista Gilvan Samico, um mestre na Xilogravura e nas artes. Os dois artistas tiveram a honra de expor suas obras juntos a convite do Salão de Artes Plásticas em Pernambuco em 2008, algo que marcou muito o jovem artista, grande admirador de Samico, de 85 anos.
Em 2012 Derlon foi convidado pelo projeto R.U.A – Reflexo on Urban Arts, junto a mais seis artistas muralistas, entre eles Fefe Talavera, Titi Freak, Diego Dedablio, Highraff, Tinho e Rimon Guimaraes para imprimir suas artes nos prédios de Amsterdã – Holanda. Na seqüência desse encontro, este ano, Derlon e alguns desses artistas decidiram abrir um Ateliê no Centro de São Paulo, capital, que vem ganhando vida e logo terá novidades.
Em meio à sua agenda cheia, o artista tem como projeto pessoal desenvolver ainda mais pinturas murais, contando com a parceria do Instituto BR, e está aberto a convites não só na Europa, mas também ao quatro cantos do mundo. A volta a Londres para uma pintura de grande proporção já está sendo inclusive avaliada. Enquanto isto não acontece, no entanto, o Culturart teve a honra de presenciar e registrar o artista em ação na parede do South Bank Skate Park, à qual ele chamou de um ‘Tira gosto’.
Para quem quiser conhecer melhor o trabalho de Derlon de Almeida, marcado por traços firmes, linguagem clara, impar e muito rica, confira: www.derlonalmeida.blogspot.com















































