Entrevista com Cristiane Pederiva: Crianças na platéia
25 Oct, 2013
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Por Shirley Nunes
Cristiane Pederiva fala sobre festival de cinema brasileiro voltado para o público infanto-juvenil
As telas de Londres tem dado cada vez mais espaço para longa-metragens brasileiros. Há cinco anos, acontece na cidade o Brazilian Film Festival, que tem conquistado cada vez mais o público inglês. Contudo, muitos dos filmes em cartaz são voltados para espectadores adultos. Com o objetivo de também alcançar a plateia mirim e de formar um novo público, em outubro, mês das crianças no Brasil, acontece o Circular – Festival Brasileiro de Filmes Infanto-juvenis de Londres, que em 2013 teve sua segunda edição. O festival, organizado pela cineasta Cristiane Pederiva, oferece uma seleção de filmes falados em português e legendados em inglês, voltados para crianças e adolescentes.
Formada pela EICTV (Escuela Internacional de Cine y TV de Cuba), Cristiane trabalhou na TV Cultura, em São Paulo, como diretora e roteirista de programas de TV, documentários e vídeos educativos. Além disso, desenvolveu projetos sociais, através de oficinas de audiovisual voltadas para crianças e adolescentes de São Paulo, Bahia e Minas Gerais.
Há quatro anos, quando chegou em Londres, Cristiane voltou a se envolver com a produção cultural voltada para o público infanto-juvenil, quando trabalhou cuidando de crianças. “Esse ano foi muito importante para mim, vi muitas atividades bacanas, frequentei muitas bibliotecas e mergulhei no universo infantil”, afirma a cineasta.
Confira a entrevista com a curadora e diretora do Festival Circular, Cristiane Pederiva:
É mais fácil organizar um evento cultural como esse em Londres ou no Brasil?
Acho que, aqui, se você busca qualidade, mostra a necessidade do seu projeto e tem força de vontade, você consegue realizá-lo. No Brasil, dependendo da iniciativa, você não avança devido à burocracia da máquina governamental. Por isso, gosto de fazer projetos independentes, como é o Circular. Já nos acostumamos, eu e Pedro (co-organizador do festival) a fazer as coisas acontecerem somente com a ajuda de pessoas que acreditam nos nossos projetos.
Como sua experiência no Brasil ajudou a colocar o projeto do Circular em prática?
Já havia montado um Festival de Cinema voltado pra crianças no Brasil, durante muitos anos. Criança, cinema e educação sempre foram o foco do meu trabalho. Acho que foi natural me envolver com esse tema novamente. Eu cheguei, quis trabalhar, as portas foram se abrindo e o festival acontecendo. Ele ainda está em transformação, encontrando a sua própria cara, que não é a minha cara, eu somente dei alma ao Circular. Agora sinto que ele caminha sozinho, que está encontrando sua forma. Acredito que o público que acompanhou a primeira edição e, agora, a segunda, também sente isso. Eles são parte dessa construção e também donos do festival. Isso é o mais importante: para todos e de todos!
Organizar um festival para crianças bilíngues é importante, porque mostra a cultura brasileira para um público que estuda em escolas inglesas, com outras referências. Essa é sua intenção?
A intenção é organizar um festival de cinema que apresente filmes de qualidade e com conteúdo, feitos por cineastas comprometidos com a produção audivisual para crianças e adolescentes. Tenho conhecido diretores e produtores muito interessados em produzir filmes voltados para o público infanto-juvenil e isso é maravilhoso. O Festival Circular é um espaço para exibir esses filmes.
Quando um pai compra um ingresso e leva seu filho para assistir às sessões do Festival Circular, ele está colaborando para a valorização de uma produção audiovisual de qualidade, aqui e no Brasil. Nós trazemos os diretores, valorizamos seu trabalho e, de alguma forma, estamos dizendo ‘por favor, façam bons filmes para crianças brasileiras, sejam elas moradoras do Brasil ou do exterior’. Assim, nos sentimos capazes de mudar as coisas, mesmo estando fora do país.

Por Priscilla Viana Muller
O primeiro festival aconteceu em 2012, com a exibição de 10 curtas e um longa. Este ano, foram exibidos 8 curtas e um longa. Qual a principal diferença entre as duas edições?
Na primeira edição fizemos uma sessão para os bem pequenos. Este ano, decidimos experimentar uma sessão para os adolescentes. Mas ainda estamos conhecendo o público do festival.
Como aconteceu a escolha dos filmes? Os diretores e profissionais envolvidos vem de várias partes do Brasil?
É um processo lento e carinhoso. Cada descoberta de um novo filme exige uma análise, a gente pensa como ele pode se encaixar dentro da mostra. Nao é fácil. As produções são poucas e, a qualidade, principalmente de conteúdo, nem sempre nos deixa feliz.
Teve algum critério de escolha?
O principal é o conteúdo, o que o filme está contando.
E a autorização para exibir cada filme, como se dá esse processo?
Todos os filmes são autorizados para ter sua exibição no festival. Alguns diretores pedem cachê, como foi o caso do filme da sessão dos adolescentes deste ano, “Antes que o mundo acabe”. Mas, no final, conseguimos autorização para uma exibição gratuita, o que nos deixou muito felizes!
Todos os filmes estão em português com legenda em inglês. Por isso, só entram na seleção filmes bilíngues?
Às vezes o filme nem precisa de legenda. As imagens e a boa atuação contam muito bem a história. Ter legendas em inglês nao é um critério de seleção, mas estamos sempre pensando naquela pessoa da família ou nos interessados em cinema brasileiro que não falam português.
Este ano você teve patrocínio?
Este ano contamos com a parceria de pessoas maravilhosas, de coração puro, que acreditam no festival. A Clínica Messina e o CILAVS – Centre for Iberian and Latin American Visual Studies, da Birkbeck, e ainda contamos com uma doação generosa do senhor Pedro Batista, que pagou todos os catálogos e o trabalho da designer. Com o que arrecadamos na venda dos ingressos, conseguimos pagar algumas despesas e dar uma ajuda de custo para a equipe de voluntários, que trabalhou duro!
O Circular 2013 foi além das expectativas ? O que você pode dizer sobre esse ano?
Sim, foi muito gratificante! Mas o melhor é saber que as pessoas já estão esperando o próximo!
Conheça mais sobre o projeto aqui: http://circularfestival.org/













































