Festa Junina em Londres
31 May, 2012
Leia em Português | Read in English
Por Carolina Beal
Junho é um mês de alegria em toda a Inglaterra, quando “supostamente” o verão toma conta da cidade, os dias são longos, as pessoas enchem os parques e pubs e todo mundo se cumprimenta (sim, porque esta coisa de dizer bom-dia que impressiona os turistas só acontece no verão!). Em contrapartida, é o mês do frio ou chuvas em grande parte do Brasil e, apesar de não ser dos mais animadores, possui o seu chame. Principalmente porque junho traz consigo as festas juninas.
Aliás, se um estrangeiro quiser saber quem é brasileiro, não deveria perguntar, por exemplo, se sabe sambar (eu mesma sou péssima no movimento dos pés), se gosta de um futebol (tive minhas fases de detestar os gramados), ou se é bronzeado (com esse verão de Londres, impossível não ficar descorado!). Mas com certeza, não há um vivo brasileiro que não tenha NUNCA ido a uma festa junina, nem que obrigado pela tia da escola para dançar quadrilha com aquele par que você não queria!
Se você não participou azar o seu! Não há nada mais divertido do que dançar uma quadrilha atrapalhada – Olha a chuva! Já passou! A ponte quebrou, etc, etc – comer pé de moleque e tomar quentão! Hmmmm…
Se você está com saudade de uma festa junina, vejas as curiosidades desta festa e onde você pode encontrá-las.
Festas juninas
As festas juninas são celebrações que acontecem em vários países, mas que são historicamente relacionadas com a festa pagã do solstício de verão. Tais celebrações eram muito importantes no Norte da Europa, em países como a Dinamarca, Estônia, Finlândia, Letônia, Lituânia, Noruega e Suécia, mas também encontradas na Irlanda, País de Gales, partes da Inglaterra, França, Itália, Portugal, Espanha, dentre outros. Dentre tais festas, algumas tradições chegaram até às nossas celebrações:
• Fogueira
A fogueira era uma tradição pagã e foi incorporada pela Igreja à festa de São João, que acontece em toda Europa. Uma lenda católica cristianizando a fogueira pagã afirma que o antigo costume de acender fogueiras no começo do verão europeu tinha suas raízes em um acordo feito pelas primas Maria e Isabel. Para avisar Maria sobre o nascimento de São João Batista e assim ter seu auxílio após o parto, Isabel teria de acender uma fogueira sobre um monte.
• Balões
O uso de balões e fogos de artifício durante o São João no Brasil está relacionado com o tradicional uso da fogueira junina e seus efeitos visuais, costume trazido pelos portugueses. Fogos de artifício manuseados por pessoas privadas e espetáculos pirotécnicos organizados por associações ou cidades tornaram-se uma parte essencial da festa no Nordeste, em outras partes do Brasil e em Portugal. Os fogos de artifício, segundo a tradição popular, servem para despertar São João Batista. Já os balões serviam para avisar que a festa iria começar; eram soltos de cinco a sete balões para se identificar o início da festança. Os balões, no entanto, constituem atualmente uma prática proibida por lei, devido ao risco de incêndio.
Já quanto aos fogos, é comum, principalmente entre as crianças, soltar bombas, conhecidas por nomes como traque, chilene, cordão, cabeção-de-negro, cartucho, treme-terra, rojão, buscapé, cobrinha, espadas-de-fogo.
• O mastro
O mastro de São João é erguido durante a festa junina para celebrar os três santos ligados a essa festa. No Brasil, no topo de cada mastro são amarradas em geral três bandeirinhas simbolizando os santos. O fato de suspender milhos e laranjas ao mastro de São João parece ser um vestígio de práticas pagãs similares em torno do mastro de maio.
• A quadrilha e o forró
A quadrilha brasileira tem sua origem em uma dança de salão francesa para quatro pares, a “quadrille”, em voga na França entre o início do século XIX e a Primeira Guerra Mundial. A “quadrille” francesa também já era um desenvolvimento da “contredanse”, popular nos meios aristocráticos franceses do século XVIII. A “contredanse” se desenvolveu a partir de uma dança inglesa de origem campesina, surgida provavelmente por volta do século XIII, e que se popularizou em toda a Europa na primeira metade do século XVIII. A “quadrille” foi para o Brasil seguindo o interesse da classe média e das elites portuguesas e brasileiras do século XIX por tudo que fosse a última moda de Paris.
Ao longo do século XIX, a quadrilha se popularizou no Brasil e se fundiu com danças brasileiras pré-existentes e teve subsequentes evoluções (entre elas o aumento do número de pares e o abandono de passos e ritmos franceses). Ainda que inicialmente adotada pela elite urbana brasileira, esta é uma dança que teve o seu maior florescimento no Brasil rural (daí o vestuário campesino), e se tornou uma dança própria dos festejos juninos, principalmente no Nordeste. A partir de então, a quadrilha, nunca deixando de ser um fenômeno popular e rural, também recebeu a influência do movimento nacionalista e dos estudos folclóricos.
Dentre os instrumentos que seguem a quadrilha encontram-se o acordeão, pandeiro, zabumba, violão, triangulo e o cavaquinho e não há uma música específica que seja própria a todas as regiões. Os participantes da quadrilha, vestidos de matuto ou à caipira, como se diz fora do nordeste (indumentária que se convencionou pelo folclorismo como sendo a das comunidades caboclas), executam diversas evoluções em pares de número variável.
No nordeste brasileiro, o forró assim como ritmos aparentados tais que o baião, o xote, o reisado, o samba-de-coco e as cantigas são danças e canções típicas das festas juninas.













































