FORRÓ FOR ALL (I)
25 Jul, 2010
Published in 2010/ Brazilian News
Galera brasileira que ama um forró, o tema dessa semana vai fugir um pouquinho do que vocês estão acostumados a ler. Não vou falar da Língua e Cultura Inglesa, mas falarei da nossa influência brasileira, especialmente do nosso forró em Londres. Como eu gosto muito de forró, para mim, esse artigo será um dos mais prazerosos a serem escritos.
Origem do nome
De acordo com o folclorista Luís da Câmara Cascudo, forró vem da palavra “forrobodó”, de origem bantu (tronco linguístico africano, que influenciou o idioma brasileiro) que significa: arrasta-pé, farra, confusão, desordem.
Mas o que mais se ouve, como também, na etimologia popular é que forró vem da expressão da língua inglesa for all (para todos). Isso mesmo. Historicamente, sabemos que no início do século XIX, os engenheiros britânicos, instalados em Pernambuco vieram para construir a ferrovia Great Western. E em Pernambuco tinha muitos bailes abertos ao público, ou seja for all. E assim os nordestinos começaram a pronunciar for all, que depois tornou-se forró.
Outra versão da mesma história substitui os ingleses pelos estadunidenses e Pernambuco por Natal do período da Segunda Guerra Mundial, quando uma base militar dos Estados Unidos foi instalada nessa cidade, de acordo com Wikipedia.
Parece tão boa a conscidência da pornúncia for all com forró, mas na verdade é que não há nenhuma sustentação para tal etimologia do termo, pois em 1937, cinco anos antes da instalação da referida base, a palavra “forró” já se encontrava registrada na história musical na gravação fonográfica de “Forró na roça”, canção composta por Manuel Queirós e Xerém.
No idioma húngaro, Forró significa “Quente”. Não se tem variação da palavra no idioma húngaro, o termo Forró é igualmente escrito, com acento como no português.
Antes disso, em 1912, Chiquinha Gonzaga compôs Forrobodó, que ela classificou como uma peça burlesca e que algum tempo depois, em 1915, ganhou o Prêmio Mambembe, sendo Mambembe também de origem banto, significando medíocre, de má qualidade.
Hoje Forró é mais que simples palavra, é mais que uma festa popular, é uma dança, é gênero musical, é estilo de se vestir e até de viver. É uma cultura tão forte quanto a capoeira ou o samba. Basta lermos sobre como era antes e como é hoje.
O forró no Brasil
Falar do forró é algo tão complexo quanto falar da origem do carnaval. Há muita história a ser dita, mas em suma, o forró também conhecido como bate-chinela, arrasta-pé, forrobodó foi originado no Nordeste, mas é praticado em todo o Brasil, especialmente popular nas cidades brasileiras de Campina Grande, Caruaru, Gravatá, Mossoró, e Juazeiro do Norte, onde é símbolo da Festa de São João, e nas capitais Aracaju, Fortaleza, João Pessoa, Natal, Maceió, Recife, São Luís e Teresina, onde existem grandes festas.
Os bailes populares eram conhecidos em Pernambuco por “forrobodó”, já em fins do século XIX. Isso está registrado em textos literários.
O forró tevemais espaço na década de 1950. Em 1949, Luiz Gonzaga gravou “Forró de Mané Vito”, de sua autoria em parceria com Zé Dantas e em 1958, “Forró no escuro”. No entanto, o forró popularizou-se em todo o Brasil com a intensa imigração dos nordestinos para outras regiões do país, especialmente, para as capitais: Brasília,Rio de Janeiro e São Paulo, nos anos 70 quando começaram a surgir “casas de forró” e artistas nordestinos que já faziam sucesso tornaram-se consagrados como (Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Trio Nordestino, Genival Lacerda).
Depois de um período de desinteresse na década de 1980, o forró ganhou novo fôlego da década de 1990 em diante, com o surgimento e sucesso de novos trios e artistas de forró.
A dança
O forró é dançado em pares que executam diversas passos. Os passos juntamente com o tipo de música mostra a diferença do forró nordestino chamado pé-de-serra com o forró universitário, diria o mais comercial.
O forró nordestino é executado com mais malícia e sensualidade, o que exige maior cumplicidade entre os parceiros. Os principais passos desse estilo são a levantada de perna e a testada (as testas do par se encontram). Os amantes pelo forró pé-de-serra não são apenas aqueles que dançam e que frequentam semanalmente o forró, o forrozeiro, às vezes, nota-se pela pela roupa. Já o forró universitário, de acordo com Síbado, é o forró de pé-de-calçada, por ser mais urbanizado. Foi desenvolvido por volta de 1994 nas universidades com noites do Trio Virgulino. A linguagem é paulistana, mais alegre, como as letras de Falamansa.
Hoje, os passos básicos são: dobradiça – abertura lateral do par; caminhada – passo do par para a frente ou para trás;comemoração – passo de balançada, com a perna do cavalheiro entre a perna da dama; giro simples; giro do cavalheiro; o cavalheiro e a dama ficam de costas e passam um pelo outro.
Ë bom relatar que, apesar de ser nosso, a dança do forró tem influência direta das danças de salão européias, como evidência nossa história de colonização e invasões européias.
A música
Para falar historicamente sobre o forró, teríamos muita informação a dar. Mas adianto que Luiz Gonzaga foi quem criou o baião: juntou a zabumba que é parecida com um tambor, o triângulo que viu tocar lá em Pernambuco e sua sanfona, ainda tradicionalmente são tocados por trios. Puramente brasileiro, o forró foi criado em nosso país, como o samba.
Como na música caipira, o forró ganhou instrumentos eletrônicos na década de 80 e o tema das letras foram também mudados. As letras não falavam mais sobre a seca e o sofrimento como a famosa música “Asa Branca”de Luiz Gonzaga e sim sobre temas para atrair jovens, com linguagem mais romântica, surge então outro tipo de forró, forró do Mastruz com Leite, que para muitos não é forró.
As variedades ritmícas dentro do forró são diversas, temos: o coco, o xaxado, o xote, o forró, a quadrilha, forró universitário, o forró eletrônico ou estilizado (que, para alguns, não é considerado forró). É interessante dizer que xote, vem da palavra “xótis, chótis” de origem alemã “schottisch” que significa escocessa, referindo a polca escocessa. Essa palavra veio pelos portugueses, quando trouxe a tal dança de salão chamada “xótis”. Depois os escravos aprenderam alguns passos da dança e acrescentaram a sua maneira peculiar de bailar.
Alguns dos compositores e artistas consagrados do forró pé-de-serra são Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Dominguinhos, Elba Ramalho, Luiz Gonzaga, Trio Nordestino,Genival Lacerda, Jackson do Pandeiro, Zé Ramalho, João do Vale, Mestre Zinho etc.











































