Forró for all (II) in London
28 Jul, 2010
The dance
Por gostar de música, cultura, e pessoas, frequentei alguns forrós aqui, e pude conhecer um casal de professores de dança, provavelmente um dos primeiros a chegar aqui.
Douglas e Gladys moram em Londres desde 2005, sempre trabalhando com a dança e representando o Brasil em vários festivais, como: Carnaval Del Pueblo ( 2010) que acontece todoano no mês de julho, inclusive eu estava presente; BRAZAZOUK Congresso representando Londres ( 2010) com a presença de Jaime Aroxa ( criador do samba de gafieira), Festival Brasileiro em Largs Glasgow na Escócia e também viajaram até a Tanzania, contratados para dançar para presidente e primeiro ministro no ano novo de 2011.
Essa semana pude conversar com os dois, para saber um pouco sobre suas aulas de forró que acontecem toda quinta-feira no Forró doGalpão a partir das 19h00.
Douglas relatou um fato interessante “os ingleses procuram minhas aulas com intenção de aprender forró e incrivelmente querem aprender as letras das músicas de forró”. Gladys, sua parceira, professora de dança há 18 anos, disse que “quando cheguei aqui, já havia lugares que aconteciam o forró, e eu percebi que os estrangeiros ficavam olhando e os que dançavam era apenas aqueles que tinha algum parceiro que fosse brasileiro ou brasileiros.”
Logo que tiveram a oportunidade de ensinar o forró no Forró do Galpão, há 4 anos atrás, começaram a ensinar especificamente para estrangeiros. Hoje o número é bem maior de procura e de dançantes. Douglas me disse que é notável a presença maior de homens do que de mulheres.
Este ano, em julho, o casal irá participar do evento London Dance Congress, onde participarão outros professores, do Brasil, da Inglaterra e da Europa.
É bom deixar claro que eles também dão aulas particulares. Qualquer interesse entrem no site: www.douglasdance.com, ou escreva para:douglas@douglasdance.com e gladyslatinart@googlemail.com
Não posso deixar de falar também de Carlos André e Kátia Goulart que também ensinam o forró pé-de-serra, especificamente no Guanabara há alguns anos, aos domingos, e no Canecão toda sexta-feira.
Ao falar com Carlos André, soube que mudou para Londres, e frequentando o forró, teve a oportunidade de dar aula juntamente com a Kátia. Porém, antes.deu aula também no Kiss Club, em Holborn, onde Pedro Campolina organizava noite de forró. Há seis anos que está aqui, afirma que a procura pelo Forró dobrou e que outros forrozeiros chegaram. “Os ingleses procuram o forró da mesma forma que os brasileiros, pela cultura, pela atmosfera que o forró faz as pessoas sentir, a sensualidade, a amizade.” Grande amante, André diz que “quem chega no forró e quer aprender, sempre será bem recebido e acolhido como um novo irmão desse movimento lindo que começou lá trás na serra do Araripe, que veio desde Seu Januário, pai de Luiz Gonzaga, que fortaleceu e transformou nesse movimentos que vem subindo bandeiras por toda europa.” O forrozeiro que já deu workshops na Suíça, sonha ver um dia, o forró sendo ensinado nas ruas, nos parques, para que outras pessoas conheçam.
Basicamente, aqui em Londres, temos o forró universitário e forró pé-de-serra. Independente disso, o importante é que o forró chegou até aos estrangeiros e está conquistando-os. E se quiserem aprender, basta olhar no quadro abaixo para verem onde acontecem as noites e as aulas de forró.

The foreigns
Fazia três semanas que eu estava nesse país, em 2009, quando fiz questão de averiguar o que acontecia de fato no clube que eu tinha descoberto perto da minha escola: era forró de domingo. Como eu disse numa música minha “mal pude acreditar no que vi, então eu resolvi entrar na brincadeira” Era mágico para mim, porque eu frequentava o forró no Brasil, também aos domingos, mas o mais inacreditável ainda, era a qualidade dos músicos e a quantidade de pessoas que estavam ali dançando. Isso sim era interessante, o número de estrangeiros que vi, o que era notável. E nesse primeiro dia, já dancei com o Michael, inglês e alemão, que tentava aprender os primeiros passos na aula de forró que acontece antes da banda se apresentar. Eu lembro que com o meu péssimo inglês, o ensinava e foi muito divertido. Hoje Michael Sonnem dança muito bem., claro que não é por minha causa, mas pela prática e dedicação. Conheceu o forró através de um convite de umas cleanears do trabalho dele para ir numa festa, desde então não parou de ir. Ele declarou que “At the beginning I mainly liked the music, the rhythmn. (…)Forro seemed to show that brazilian music making spirit all around in brazilian music making. As my dancing improved I started to like it more and more.”
Foi ali também que pude conhecer outros, não apenas ingleses. Conheci um libanês que fala português, e dança melhor que muitos brasileiros, pena que não o vejo mais, para pegar alguma declaração dele sobre como e quando começou a dançar forró.
Então, nessa semana fiz questão de conversar com outros “gringos” para saber mais sobre seu envolvimento com o forró.
De acordo com Lee Daubon, jamaicano, conheceu o forró quando foi ao Brasil em 2009, em Salvador, com um amigo brasileiro, num Festival de Forró. Logo que fizeram demonstração da dança, ele disse que “I thought it was very similar to a Jamaican style dance.” E me contou que “In the Jamaican community we have a style of dance called ‘Two Step’ where you dance with a lady close up to slow music (Lovers Rock). The Jamaica ‘two step’ is very similar to the basic Forró steps. Before the festival I was feeling quite confident. But when we arrived I realised there was a lot more to Forro than had been demonstrated. There was spinning turning and lots of it. I felt frustrated, I wanted to dance but didn’t know how too. I wanted to have conversation but couldn’t speak the language. In the end I sat back, watched, observed and said I’m either going to learn Portuguese or Forró on my return to England.”. Quando voltou a UK, ele tentou aprender português pelos cd da biblioteca mas não deu muito certo. Ele procurou forró pela internet, e encontrou o Guanabara. E hoje frequenta toda semana. “One and a half years later I still feel excited about Forro and still going to Guanabara. I call it Sunday worship because it makes me feel energised. Also I’ve made new friends and I can’t think of any other place where a beautiful lady comes up and asks you to dance.”
Falei também com Pawel Libacki, polonês que vive há 8 anos em Londres, e frequentava o Guanabara aos sábados pela música e pelas pessoas, mas depois que começou a namorar uma brasileira, e a frequentar o clube aos domingos. Foi assim que iniciou a aula de forró, e já é um frequentador assíduo de outros lugares.
Tive a oportunidade de conhecer uma garota especial, inglesa, chamada Julia Samel, no último domingo. Por mera coinscidência, era a mesma garota que eu tinha tentando falar por telefone. Julia, apaixonada por forró, ensina a dança no Forró Family, e está juntamente com Lucas Amorim organizando o Festival de Forró . Pude conversar com forrozeira que fala português muito bem. Ela já morou por mais de um ano no Brasil, mas foi aqui em Londres que conheceu o forró, há 10 anos atrás, num workshop de capoeira. Ela declarou que “I dance at every opportunity, at least 3 times a week, but I would dance every day if I could..Shame I have to work.(…) I’ve always loved dancing, and I love people and connecting without having to make conversation – Forro is perfect!”
Quando questiono sobre quando perceberam que precisávamos de um festival, ela diz que “I love festivals, nature, camping, sun, rain (!).. and I teach Forro at other festivals, but it wasn’t enough. I just think we need a festival devoted to Forro, and out in the fields where Forro can be danced by moonlight!”. E assim o forró vai se espalhando…
The music
Em 2009, na terceira semana que estava morando em Londres como já disse, pude conhecer o forró daqui, exatamente com Zeu Azevedo e Banda Forró Daqui. Fiquei muito feliz em ver tanta gente estrangeira dançando, vendo que a nossa cultura está se expandindo. Foi assim que conheci Lucas Amorim.
Falar de forró em Londres, é falar de Lucas, músico, um dos grandes incetivadores do forró. Filho de Geraldo Azevedo, mora aqui há 9 anos e que toca há 16 anos. Bati um papo com ele nessa semana, e posso dizer que foi um prazer saber como era e como é hoje o forró em Londres e mais feliz ainda fiquei por poder dividir isso com as outras pessoas..
O forrozeiro carioca declarou na nossa entrevista que quando chegou aqui, só tinha uma noite de forró. “Era as segundas feiras no Bar Madrid (no centro de Londres). Mas não havia nenhuma banda de forró. Eu me juntei ao Zeu, e Tiago da Gaita e fizemos o Trio Azevedo, que tocou muito e abriu os shows de Falamansa , Trio Virgulino e Jorge Ben. E tocávamos também as segundas no Bar Madrid.
Hoje em dia existe de três a quatro noites de forró, várias bandas e cresceu muito o forró na Inglaterra e Europa.Realmente cresceu muito. E acho que é o estilo de música brasileira que mais cresceu na Europa.E hoje representa muito o Brasil como o samba.”
E quando questiono sobre como ele vê o “Forró no mundo”, ele diz que o forró é “ a música e a dança brasileira que mais cresce no momento.E que está muito sólida e em breve vai ser como uma salsa, conhecida mundialmente!”
E a maior novidade do forró é o Festival de forró que acontecerá nesse ano de 2011, em três noites (25, 26 e 27 de setembro), numa fazenda há 30 minutos de Londres. Já anota ae na sua agenda para não ficar sem o ticket. ForroFest está sendo organizado pelo Lucas (Forró do Galpão), Julia Samel (Forró Family) e Maicol Cabral (Soul Brasil) e já adiantam que terá bandas da Inglaterra e da Europa, além de outras atrações diversas como aulas de danca,Yoga , comidas diversas e muita diversão. Para mais informações, entre no site: www. forrofest.co.uk. Eu vou, quem vai?
Zeu Azevedo domina há 5 anos todos os domingos no Guanabara Club,e fala com a gente sobre o forró de Londres.“Quando eu cheguei, em 2002, não havia nenhuma banda de forró havia uma noite pequena de forró na segunda, onde só tocava DJ. Não havia nenhum sanfoneiro, logo comecei a tocar e abrindo novas casas de forró e divulgando ainda mais essa música tão rica.” Diz também que “muitos sanfoneiros nesses 9 anos passaram por aqui mas só eu fiquei, acho q faz parte da minha missão de levar a musica do Rei do Baião aos europeus, (…)eu me orgulho em fazer parte desse movimento!”
Um dos músicos que iniciou forró em Londres, foi Gustavo Marques, paulista, 11 anos em Londres, nos disse que em 2001, tocava no Bar Madri às segundas-feiras, fazendo voz e violão e embaixo rolava o forró com cd. Mas foi por volta de 2006, que Marques propôs forró no Guanabara Club, onde atraia ainda pouco público. Ele dá uma declaração interessante sobre: “Nessa época o forró lá era só pé-de serra e creio que por isso atraía um público um pouco diferente do de agora.. Na minha maneira de pensar acho que o Guanabara em geral tinha uma linha de trabalho menos comercial e mais direcionada a cultura brasileira em si.” E de fato, nos confirma que agora, o forró “está bem mais difundido do que qdo cheguei.”
Encontrei um Pernambucano nessa Londres, diretamente da capital do Forró, Serginho. Ele conhece o forró desde criança, porque como ele disse “uma coisa muito comum de onde venho , nos crescemos com isto que ja faz parte de nossa cultura e folclore.” Como vê por toda sua vida, ele o forró bem de pertinho mas foi aos 18 anos que começou a tocar profissionalmente, não apenas forró. Apesar de viver aqui há 15 anos, ele toca há 6 anos. Quando pergunto como era o forró de quando ele chegou e como é o forró de agora, ele nos diz: “Quando eu cheguei aqui até então não havia noites de forró tampouco bandas que tocavam esse gênero, apenas artistas e trios vindo de fora como Trio Nordestino e Geraldo Azevedo. Cinco anos após ter chegado aqui. Surgiu o Trio Azevedo , o primeiro trio de forro Pe-de-serra na europa (…), e também a primeira noite de forró em Londres que acontecia todas as segundas feiras no extinto Bar Madrid na Oxford street. Desde de então tem surgido várias noites de forro produzidas nao so por brasileiros mas tambem ingleses (…) como diria o Rei do Baio Luiz Gonzaga o forró foi urbanizado, agora está sendo mundialmente conhecido.”
De fato, o Forró está em mais destaque do que antes e já temos vários grupos interagindo aqui em Londres: Daladeira Band, Zeu Azevedo e Banda Forró Daqui, Mulambo, Mistura Nordestina e Piabás do Rio Seco, e um novo grupo de meninas, que procura sanfoneira ou violonista, está sendo preparado “Cactus Flower Trio”.
Para finalizar, convido a vocês levantarem o bumbum do sofá, da cama, do chão, da onde for, para virem dançar, bater um papo, interagir com os estrangeiros, álias tae uma chance para praticar o seu inglês. Após essas informações você não pode dizer que não tem forró nessa cidade, como já ouvi de alguns brasileiros. E quem sabe, assim, nos conhecemos pessoalmente!











































