Jorg Wagner, diretor brasileiro em Londres

01 Jan, 2014

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Por Adantes Vieira

JORG WAGNER – Um homem multifacetado e nascido em Porto Alegre, Brasil e com descendência alemã começou a estudar Engenharia Electrónica na PUC RS, Brasil mas desistiu após quatro anos para aprender guitarra clássica.

Entretanto, viajou pela Europa sob a influência da cultura Beat & Hippie. Depois dessa experiência voltou ao Brasil mas não se adaptou à realidade do pais na altura e decidiu voltar a viver na Europa mas desta vez viajou para Inglaterrra onde começa uma vida nova. Escritor, produtor, diretor, operador de camara, editor, professor de entre outras competências profissionais, trabalhou para a CNBC TV Europa. Grande parte da sua educação foi tirada em Inglaterra e presentemente leciona Media Studies na Westminster Adult Education em Londres. Também está acreditado para lecionar no setor da Life Long Learning (PTLLS).

Em Janeiro de 2014 Jorg Wagner irá concluir dois importantes projetos caso consiga financiamento. Uma sitcom “Os Brasileiríssimos” e um documentário AKONG – A Remarkable Life. A sitcom retrata a realidade de brasileiros a viver em Londres e os choques culturais inerentes entre outras questões sociais. O documentário conta a isnpirante história de Choje Akong Tulku Rinpoche, um Lama Tibetano reencarnado que foi o pioneiro responsável pela introdução do Budismo Tibetano no Ocidente.

 

1-      Como foi o Processo Criativo na Sitcom “The Brasileiríssimos”?Eu trabalhei em vários Projetos e em cada um eu tenho uma relação diferente. No  caso específico dos “The Brasileiríssimos” o argumento é sensivelmente 95% da autoria do ator e produtor Márcio Mello. Neste caso específico eu li o trabalho do Márcio, tentei entender o melhor possível a comédia e o humor que ele pretendia passar através do texto mas também existem elementos com os quais eu me relaciono nomeadamente o facto de eu viver em Londres bem como outros brasileiros e das relações que tenho tido ao longo deste tempo e do choque natural que esse fato provoca. Então procuramos trazer para o projeto várias experiências pessoais cruzadas com a pesquiza que fizemos. Analisamos também algumas novelas brasileiras e sitcoms americanos para ter uma ideia da linguagem e do jogo de camara. É um projeto em crescimento e como tal ao longo do decorrer dos episódios iremos perceber nuances e diferentes facetas dos personagens e atores em si. A cidade de Londres que pretendemos que seja o pano de fundo do “The Brasileiríssimos” irá dar-nos matéria e elementos para irmos acrescentando aos episódios bem como a cidade de Lisboa na qual pretendemos filmar enriquecendo assim a sitcom. Como eu sou meio brasileiro e alemão, o meu lado brasileiro é mais espontâneo e é um deixar acontecer e depois se percebe o resultado. O lado alemão faz-me ser bem organizado e criar estruturas de trabalho. Nesta sitcom eu procuro ver os posicionamentos de camara, os planos e onde e de que forma podemos enriquecer e valorizar os momentos e as cenas. Tirando essa parte da estrutura, acrescento a parte da emoção mostrando mais o rosto, as mãos, uma sombra dando uma leitura muito mais profunda e sensorial do trabalho. O Márcio é uma pessoa criativa e alegre e trouxe vários clichés brasileiros que funcionam muito bem pelo menos para a cultura brasileira o que não sabemos se irá funcionar com outras culturas. Eu estou aprendendo muito com este projeto e tenho que mencionar a atriz Teresa Araújo que também está envolvida neste projeto trás muito o cliché brasileiro e lado baiano, afro, essa impertinência e eu acho que ela transmite isso muito bem o que foi uma mais-valia para o projeto.

 

2 – Como foi escrever “The Brasileirissimos”? Sentiste alguma necessidade cultural ou de outra natureza através de testemunhos de familiares, amigos ou conhecidos?

Sim sem dúvida. Qualquer nação tem os seus clichés e em Londres existem vários tipos de brasileiros. Há brasileiros com os quais eu convivo intelectual e culturalmente, há os brasileiros com os quais eu convivo por situações de trabalho entre outros. Em relação à sitcom “Os Brasileiríssimos”, penso que tenta cobrir todas estas situações em que brasileiros que têm um interesse cultural e intelecto diferente gostariam de ver o seu país numa situação melhor comparando os avanços tecnológicos e sociais em Inglaterra e que por vezes sentem uma enorme dificuldade em realizar alguma coisa deparam-se com muitas regras, leis e burocracia e gostariam de simplificar as coisas à maneira brasileira. Este elemento está bem patente na sitcom e quer eu quer o Márcio passamos por essa experiência. Falando de mim mesmo e em relação ao fato de estar completamente inserido numa cultura diferente da nossa não sei se funciona e a sitcom tem isso pois os brasileiros têm isso mas até que ponto eles estão completamente integrados eu não sei. Parto do princípio que existe esse vazio e que a sitcom vem realmente preencher esse vazio quanto mais não seja de forma inconsciente. Para um ator é difícil se estabelecer num país que não o seu de origem com uma cultura e idioma diferentes e outros valores culturais não é fácil. E eu penso que o Márcio acabou por trazer algumas experiências pessoais para o projeto na qualidade de estrangeiro bem como algumas frustrações também de tentar interagir mais com uma cultura que não lhe é familiar.

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3 – Tens uma estética própria para os teus documentários ou foste influenciado de alguma forma e se foste por quem foste influenciado?

Eu vivo entre dois mundos, o ficcional e o de documentário e amo os dois. Faço as coisas muito à minha maneira e de uma forma muito instintiva. É claro que vi muitos filmes e que sou o resultado de várias experiências e a minha visão que acho que é minha não deixa de ser naturalmente o acumular de valores e outras culturas. Porém, ao nível do documentário não sigo ninguém e não que não goste das linhas de alguns realizadores até porque vi alguns documentários fantásticos mas não segui e creio que não fui diretamente influenciado por ninguém pelo menos consciente. Ao nível da ficção eu tento usar sempre a minha visão, por um lado, mas por outro penso que há uma influência mais consciente, mais palpável e mais marcada. Apesar de eu ser bastante eclético e democrático eu gosto muito de filmes que me chamem a atenção e especialmente do David Linch, do Lars Von Triers, fugindo muito do estereótipo brasileiro de falar alto e da alegria. Pessoalmente, acho que o meu trabalho reflete muito a perspetiva que eu tenho de observar as coisas, de ver as incoerências, as contradições humanas apesar de eu gostar de festa. A longa-metragem que fiz, o Lost Tango, não é um filme comercial e sim muito introspetivo e reflete os meus fantasmas mal resolvidos. Reflete muito a frustração humana e tem uma riqueza enorme no que concerne ao universo inconsciente humano.

 

4 – O documentário “a remarkable life” neste Mundo como teu legado na perspetiva de Diretor? Que mensagem deseja para o mundo?

Hoje não tenho pretensão nenhuma e nesse sentido sou extremamente simples e humilde mas imagina que de um dia para o outro ganho algum prémio posso mudar. Mas legado que queira deixar não tenho sendo honesto e simples, não tenho nenhuma mensagem para o Mundo pois eu estou a tentar compreende-lo e para deixares uma mensagem tens que ter chegado a alguma conclusão e eu não cheguei a nenhuma. Eu vejo os meus trabalhos como atos de “digestão” da realidade ou seja eu tento entender a realidade e isso sou eu falando hoje. Para realizar os meus trabalhos eu faço pesquiza em temas que me interessam de alguma maneira e tento entendê-los no contexto mágico da Vida!

5 -Para quando a estreia de “The Brasileiríssimos” e Akong?  

Em relação à sitcom o Márcio foi para o Brasil para tentar vender e comercializar a ideia no Brasil. Ele volta em Janeiro e eu em Janeiro vou para a India e Nepal e volto em Fevereiro. Estamos a pensar fazer uma apresentação em Março de 2014. Em relação ao documentário o aniversário será em Outubro 2014 mas já estamos a trabalhar nele à um ano e estamos a tentar conseguir financiamento pois 80% está ainda por conseguir e esperamos conseguir terminar em Outubro ou Dezembro 2014.

Agora é só aguardar e ficar atento na nossa programação o trabalho de Jorg Wagner!

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