Brazilian Film: Neighbouring Sounds (O som ao Redor)
01 May, 2013
VERSION IN ENGLISH / VERSÃO EM PORTUGUÊS
By Fernanda Franco
Translation by Harriet Batey
Watching the first feature length production of Recife born Kleber Mendonça Filho brings about a clash of reactions and sensations. The realism of the scenes and the natural dialogue of the characters leaves you with the feeling of watching a TV series, maybe even a soap opera, with only one difference, the style and Mise-en-scène of cinema production. The dialogue is written in a very intelligent way which makes it come across improvised, albeit, perfectly improvised. The script, originally having been written in only a week during 2008, so that the author didn’t miss the deadline for government funding, narrates various parallel situations that aren’t always interlinked. In saying that, there isn’t necessarily an action-reaction dynamic. What we watched throughout the film was the routine of a middle-class neighbourhood in Recife’s Zona Sul, put across in an intriguing and creative way and aided by the unforgettable local architecture.
Grids, high walls, confined bedrooms, tiles, narrow and nearly isolated streets put across the feeling of imprisonment, of a suffocated population which still lives in a controlling society, reminding you of colonial times. An imperialism which still remains in the face of modernism and contemporary characters.
Fear and suspense are meticulously woven within each scene and the feeling of uncertainty continues throughout the unfolding of the plot. The unexpected arrival of a militia group with the aim of protecting the local population against urban violence, provokes different reactions, and consequently brings up doubts amongst local inhabitants. The film is composed of various stories which involve residents in the area, some which are not necessarily connected with others, but each one has a special charm and captivate you with their simplicity and naturalness.
The patriarch Francisco, representative of a ruling class which supposedly no longer exists in this modern world, still holds reign over the region as a result of a furnishing monopoly in the region. One character who appears in a subtle way throughout the plot, surprised with their past actions, suffering fatal consequences. Their grandchildren, also residents in the area, with totally opposing personalities, each develop their own narrative within the context of the film, adding to the plot as it detangles around the family empire. From there we meet Bia, an unloved wife, mother of two teenagers, and a paranoia with the next door neighbour’s dog, involving her own storyline, almost coming across as the protagonist.
The film works with the daily relationship between people from a typical North East region, and at the same time also represents the day-to-day life of a country, where the characters identify with human beings represented within fiction. It’s interesting to analyse the film from the point of view of the director, who being an experienced cinema critic has developed and produced a minimalist work worthy of a more profound study from every perspective and try to establish the real intentions behind the film. A reflection of a modern landscape in a country which still lives and reflects the consequences of an oppressive society.
TRAILER
VERSÃO EM PORTUGUÊS
Por Fernanda Franco
Um confronto de reações e sensações ao assistir o primeiro longa fictício do recifense Kleber Mendonça Filho. A realidade do cenário e naturalidade de fala dos personagens deixa uma sensação de se estar assistindo uma série de TV, até mesmo uma novela, só que com um grande diferencial, um estilo e Mise-en-scène cinematográficos. Os diálogos são escritos de maneira tão inteligentes que soam como improvisados, porém, perfeitamente improvisados. O roteiro, originalmente escrito em apenas uma semana, em algum momento de 2008, para que o autor não perdesse o prazo de inscrição para um edital do governo para angariar fundos, narra viárias situações paralelas e que nem sempre são interligadas. Ou seja, não há necessariamente um fator, ação-reação. O que observamos neste filme é a rotina de uma vizinhança de classe média da Zona Sul de Recife, sendo contada de maneira intrigante e criativa, com ajuda imprescindível da arquitetura local. Grades, muros altos, quartos confinados, azulejos, ruas estreitas e quase isoladas transmitem a sensação de aprisionamento, de sufoco de um povo que ainda vive numa sociedade controladora, relembrando os tempos de colônia. Um imperialismo que ainda se mantém perante o modernismo e contemporaneidade dos personagens.
O medo e o suspense são meticulosamente trabalhados na montagem das cenas e a incerteza do que ainda está por vir é uma constante no desenrolar do enredo. A chegada inesperada de um grupo de milícia com o objetivo de proteger a população local contra a violência urbana, provoca diferentes reações e, conseqüentemente, gera dúvidas entre os moradores locais. O filme se compõe de várias estórias que envolvem os moradores do bairro, as quais não são necessariamente conectadas umas com as outras, mas que tem cada uma seu charme especial e cativam pela simplicidade e naturalidade. O patriarca Francisco, representante de uma classe dominadora supostamente inexistente no mundo moderno, ainda reina na região, através do monopólio mobiliário na região. Um personagem que aparece de maneira sutil mas que, com o desenrolar do enredo, surpreende pelos seus atos do passado, sofrendo conseqüências fatais. Seus netos, também moradores do bairro, com personalidades totalmente opostas, desenvolvem cada um, uma narrativa própria no contexto do filme, enriquecendo a trama que desenrola ao redor do império da família. Dai temos Bia, uma esposa mal amada, mãe de dois adolescentes, e sua paranóia com o cachorro da vizinha ao lado, que envolve com sua trama própria, com ares de protagonista.
O filme trabalha o relacionamento no cotidiano dos personagens daquela região tão típica do Nordeste, mas que, ao mesmo tempo, representa o dia a dia de um país, onde os personagens se identificam com os seres humanos por eles representados na ficção. É interessante analisar o filme do ponto de vista do diretor, que, sendo ele um experiente crítico de cinema, elaborou e produziu uma obra minimalista digna de um estudo mais profundo de cada detalhe e tentar apurar quais foram realmente suas intenções. Um reflexo da paisagem moderna num país que ainda vive e reflete conseqüências de uma sociedade opressora.













































