“O beijo no Asfalto” (The Asphalt Kiss) em Londres
16 Nov, 2012
O beijo no Asfalto “The Asphalt Kiss”
Cia StoneCrabs
Por Alba Cabral
Na semana passada, a companhia de teatro Stonecrabs apresentou por cinco noites consecutivas no New Diorama Theatre, em Londres, o clássico de Nelson Rodrigues O Beijo no Alfalto cuja primeira estréia foi em 1961 no Rio de Janeiro. O responsável pela direção da versão adaptada para o inglês The Asphalt Kiss foi o diretor Franko Figueiredo. A performance fez parte das comemorações do centenário do dramaturgo pernambucano (1912-1980) completados em 23 de agosto deste ano.
Na trama, Arandir teve sua vida modificada após um ato de misericórdia – um beijo – num sujeito que fora atropelado numa avenida por um ônibus . Vendo sua morte chegar, o atropelado pede um último beijo a Arandir, que tenta socorrê-lo. Este, por generosidade, atende ao seu pedido. Quem presencia a cena é o reporter Amado Ribeiro do jornal Última Hora que, junto com o delegado Cunha transforma a história de um beijo entre dois homens em manchete sensacionalista.
A partir de então, a vida de Arandir é atormentada por matérias de jornais, que colocam em questão a traição à sua esposa Selminha, o julgamento por parte da sociedade sobre o homosexualismo, a infidelidade, criando situações de conflito na sua vida pessoal e profissional. A trama mostra ainda o poder da mídia manipulando a verdade, a desenfreada tortura psicológica no interrogatório da polícia, o próprio Arandir, que passa a ter muitas dúvidas dele mesmo e das pessoas que duvidam do seu ato. A forte manipulação também acontece com Selminha e com a viúva do anônimo falecido.
Diante do espectador, desenvolvem-se diversas cenas de tensão que culminam com um desfecho trágico, ainda de violência e morte.
Sobre o autor
Nelson Rodrigues é uma figura de ponta entre os dramaturgos brasileiros e revolucionou as artes cênicas no Brasil, trazendo aos palcos , de forma inédita, os dramas do cotidiano e personagem das ruas, abordando questões como a fragilidade da condição humanda, o juízo baseado nas aparências, os desejos reprimidos. Nascido em Pernambuco, aos cinco anos mudou-se para o Rio de Janeiro e aos 13 anos já travalhava na redação das páginas policiais do jornal fundado pelo seu pai. Anos mais tarde, em virtude da posição política, o jornal foi invadido e destruído. Nelson passou a escrever para teatro e jornais e suas obras se estendem de 1939 (A Mulher sem Pecado) até 1979 (A Serpente).
fotos de Schirley Amaral
http://www.schirleyamaral.com/

















































































